A turma de 10.º ano do Curso Profissional da Escola participou numa oficina de escrita dinamizada pela Professora Alexandra Alves. A partir do tema "A história da nossa escola" construíram poemas muito interessantes. Estão de parabéns!
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
domingo, 28 de janeiro de 2018
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
20 lições sobre a Tirania
Síntese do nosso colega Pedro Miranda.
Seguem as "20 lições" que o historiador Timothy Sneyder,
historiador, especialista nas questões atinentes ao nacional-socialismo,
retirou das tiranias do século XX, propondo-se a um manifesto - que
tinha a eleição presidencial norte-americana como pano de fundo, é certo
- de alerta e de estímulo à participação política/de cidadania dos mais
jovens.
1. Não
obedeças por antecipação - se mostras predisposição para te
adaptar a ordens e a um arbítrio que ainda só se murmura, o poder acabará por
cavalgar sobre essa aceitação/resignação/obediência. Resiste ao mal. Exemplo
desta obediência por antecipação: a atitude dos austríacos face aos nazis,
mostrando que estavam "prontos", "maduros" para serem
anexados e obedecerem cegamente.
2. Defende as
instituições - estas podem ser/são a grande arma de defesa que o
cidadão tem ao seu dispôr. Mas não confiemos demasiado: elas só se mantêm se
estivermos vigilantes e se cada um, como cidadão e profissional, não se
demitir. Jornais judeus, na Alemanha, afirmaram perentoriamente que apesar de
todos os dislates, abusos, promessas terríveis, nunca Hitler as concretizaria,
dadas as instituições vigentes. Viu-se.
3. Cuidado
com o Estado unipartidário - apoia o sistema multipartidário. Não
faltou quem chegasse ao poder e reconfigurasse a diversidade no uno, sem
direito a qualquer adversativa. "Vota nas eleições locais e estatais,
enquanto ainda é possível fazê-lo. Pondera uma candidatura a um cargo
público" (p.23).
4. Responsabiliza-te
pela face do mundo - aconteceu, a meio do século XX, amigos, de um dia
para o outro, e como se fosse normal, deixarem de falar com amigos, porque
estes foram assinalados com uma estrela. Nunca vires os olhos a um teu amigo.
Tem atenção a todos os símbolos. Eles podem danificar, excluir, destruir,
cercear o espaço público, capturar a democracia.
5. Lembra-te
da ética profissional - a deontologia pode salvar. Se nos recordarmos
e praticarmos os juramentos, se os levarmos, a eles e à vida, a sério: "se
os advogados tivessem seguido a norma de não se permitir nenhuma execução sem
prévio julgamento, se os médicos tivessem respeitado a regra de não se proceder
de nenhuma cirurgia sem consentimento prévio, se os empresários tivessem
defendido a proibição da escravatura, se os burocratas se tivessem recusado a
despachar trabalho administrativo que envolvesse homicídio, o regime nazi teria
encontrado muito mais obstáculos ao procurar levar a cabo as atrocidades pelas
quais o lembramos" (pp.32-33)
6. Fica
alerta com os paramilitares - grupos de capangas, de seguranças
privados, rufias foram intimidando, com inusitada violência, adversários políticos
dos nazis, assim contribuindo, fortemente também, para estes acederem ao poder
(coagindo muitos dos demais cidadãos, ainda que chegando ao poder, em grande
medida, ainda, de forma democrática). Neste ponto, portanto, Snyder olha para o
papel das SS e das SA, mas fala ainda dos grupos que nos comícios de Trump
foram calando - e despachando dos pavilhões - vozes dissonantes (perante o
gáudio, em jeito de reallity show do próprio personagem central do comício).
Muitos verão aqui exagero, ou mesmo ilegitimidade, na analogia; mas o discurso
tem por objectivo ligar todos os alertas. Os sinais da atualidade são
preocupantes deveras - eis a mensagem.
7. Sê
prudente se tiveres de andar armado - olha para quantos milhares
mataram polícias ao serviço dos diferentes totalitarismos. Está pronto para te
recusares; sê capaz de dizer não. Nenhuma burocracia te isenta da
responsabilidade individual dos teus actos.
8. Opõe-te -
é preciso correr o risco de ir contra o espírito do tempo, quando neste a hybris
atravessa os espíritos. O fascismo e o comunismo foram produtos da reacção à
globalização, oferecendo como soluções miríficas o "tudo pela nação"
(contra a qual estaria em curso uma "conspiração": "um legado
intelectual intacto cuja relevância vai crescendo a cada dia que passa") e
"o monopólio da razão que faria a sociedade avançar na direcção de uma
certa ideia de futuro fundamentada por supostas leis imutáveis da
história" (numa sociedade, numa história que desaguaria,
"inevitavelmente", no "comunismo"). Hoje, cumpre, de novo,
não embarcar nos cantos de sereia que conduzem a lado algum - ou, mais
rigorosamente, a um inferno terrestre.
9. Estima a
nossa linguagem - "Tudo acontece depressa, mas na verdade nada
acontece. Cada história que surge nas notícias transmitidas é de "última
hora", até ao momento em que é substituída pela seguinte. Assim, somos
levados por onda atrás de onda, mas nunca chegamos a ver o oceano (...) Há mais
de meio século, os romances clássicos alertavam para o domínio dos ecrãs, para
a proibição de livros, para a restrição dos vocabulários e para os consequentes
obstáculos ao pensamento. Em Fahrenheit 451, de Ray Bradbury,
publicado em 1953, os bombeiros descobrem e queimam os livros enquanto a maior
parte dos cidadãos ocupa o tempo a ver televisão interativa. Em 1984,
George Orwell, publicado em 1949, os livros são interditos e a televisão
bidireccional, permitindo ao governo manter uma vigilância apertada dos
cidadãos. Em 1984, a linguagem dos meios de comunicação visual é
largamente controlada, de modo que o público se ache totalmente privado dos
conceitos necessários para reflectir sobre o presente, recordar o passado e
ponderar o futuro. Um dos projectos do regime consiste em limitar
progressivamente a linguagem ao eliminar cada vez mais palavras a cada edição
do dicionário oficial.
Olharmos fixamente
para ecrãs poderá ser inevitável, mas o mundo bidireccional pouco sentido faz
se não nos conseguirmos socorrer de um arsenal mental que possamos ter
desenvolvido anteriormente noutras circunstâncias. Quando passamos a repetir as
mesmas palavras e frases que surgem nos meios de comunicação diária, estamos
também a permitir a ausência de uma perspectiva mais ampla das coisas. Dispor
de semelhante perspectiva requer mais conceitos, e ter mais conceitos à nossa
disposição requer leituras. Por isso, livra-te dos ecrãs que tens no quarto e
cerca-te de livros" (pp.50-51).
10- Acredita
na verdade. Há factos. Não há só opiniões. Não há apenas diferentes
narrativas. Há verdade, não há só verdades. Procura, investiga, consolida o que
é factual e só depois interpreta. Um espaço público onde não se conseguem
estabelecer factos incontroversos leva demasiado longe a noção de sociedade
fragmentada.
11. Investiga -
o que dizes e escreves pode sempre influenciar outros. Nem o que dizes ao café,
no facebook, no twitter ou num email é, à partida, isento dessa possibilidade.
Em assim sendo, o teu gesto só será justo, legítimo, ético se investigares o
que envias, o que publicas. Se leste, se estudaste. Não bastam as "letras
grandes" ou a manchete do jornal, há que ir em profundidade para não
manipularmos, nem sermos manipulados: "tira as tuas próprias
conclusões. Dedica mais tempo À leitura de artigos longos. Subsidia o
jornalismo de investigação através da subscrição de meios de comunicação social
na sua forma impressa. Compreende que parte do que se encontra na Internet é
divulgado com o intuito de prejudicar. Informa-te acerca de websites que
investigam campanhas de propaganda (alguns dos quais chegam-nos do
estrangeiro). Responsabiliza-te pelas tuas trocas de informação com outras
pessoas (...) Os melhores jornalistas dos jornais impressos dão-nos a
oportunidade de ponderar o significado (tanto para nosso proveito como do nosso
país) daquilo que de outro modo pareceria apenas uma série de fragmentos
isolados de informação. Contudo, ainda que esteja ao alcance de qualquer pessoa
republicar um artigo online, a verdade é que investigar e escrever é um
trabalho árduo que requer tempo e dinheiro. Antes de desdenharmos dos 'meios de
comunicação de massas', devemos ter em consideração que estes já não são
efetivamente para as massas. Fácil e próprio das massas é o desdém, sendo o
verdadeiro jornalismo o que é de facto ousado e difícil (...) Se nos decidirmos
a procurar os factos, a Internet concede-nos um invejável poder no sentido de
divulgá-los (...) Tendo em conta que na idade da Internet a publicação é
possível a todos, cada um de nós tem uma responsabilidade individual para com a
noção de verdade difundida entre o público. Se estamos realmente determinados a
procurar os factos, cada um de nós tem a possibilidade de provocar uma pequena
revolução no modo como a Internet funciona. Se decidiste averiguar as
informações por ti mesmo, é certo que não irás enviar notícias falsas a outras
pessoas. Se optaste por seguir o trabalho de repórteres que consideras
merecedores da tua confiança, poderás assim transmitir os seus conhecimentos
aos outros. Se republicares no Twitter apenas as informações resultantes do
trabalho de seres humanos que respeitaram os protocolos jornalísticos, menos
provável será que acabes por conspurcar o teu cérebro ao interagires com bots e trolls. Não
nos é possível vermos as mentes que prejudicamos ao publicarmos falsidades, mas
tal não significa que não lhes façamos mal algum" (pp.59 e 62-64)
12. Faz
contacto visual e conversa de circunstância - nos regimes repressivos,
no séc.XX, o comportamento de um vizinho - afetuoso ou indiferente - fez a
diferença no cimento que permitiu alargar a força da comunidade, ou enfraquecer
os laços perante o regime, e, portanto, constituíram-se como passos para mudar,
ou reforçar, respectivamente, o status quo.
13. Pratica
uma política corporal - não chega a denúncia cibernética, nem a
indignação de sofá. Muitas vezes, a rua é necessária para haver mudança. E,
ainda nela, criar novos amigos políticos capazes de a
concretizarem. "Ao poder convém que o teu corpo apodreça na poltrona e
as tuas emoções se dissipem num ecrã. Sai à rua. Leva o teu corpo para lugares
desconhecidos e envolve-te no meio de estranhos. Faz amigos novos e participa
em manifestações na sua companhia" (p.67)
14. Estabelece
uma vida privada - não deixes que tudo quanto te diz respeito seja do
conhecimento público, não te exponhas (demasiado) na rede. Os tiranos de todos
os tempos jogaram com o conhecimento do domínio privado para anularem o
"teu" protesto. "Somos livres apenas quando somos nós
próprios a delimitar as ocasiões em que somos vistos e os momentos em que tal
não acontece" (p.69)
15.Contribui para
boas causas - "toma parte ativa em organizações, sejam elas de
cariz político ou não, que expressem a tua perspectiva da vida. Escolhe uma ou
duas instituições de caridade e decide-te pelo pagamento automático de
donativos. Assim, terás feito uma escolha livre que favorece a sociedade civil
e ajuda os outros a promover o bem comum (...) No século XX,
todos os inimigos de peso da liberdade revelaram-se hostis para com as
organizações não governamentais, instituições de caridade e afins. Os
comunistas exigiam o registo oficial de todas estas organizações e
transformavam-nas em organismos de controlo político. Os fascistas criaram o
que vieram depois a designar sistema 'corporativista', no qual todas as
atividades humanas eram enquadradas de acordo com um desígnio particular,
sujeitas ao jugo do Estado unipartidário. Os regimes autoritários da atualidade
(Índia, Turquia, Rússia) são, do mesmo modo, profundamente alérgicos à ideia de
associações livres e de organizações não governamentais" (pp.75 e 77)
16. Aprende
com os teus semelhantes de outros países - os observadores/jornalistas
de Leste foram muito céleres a vaticinar a vitória de Trump, ao verificarem
como decorria a campanha. Haviam-se habituado ao mesmo tipo de propaganda por
parte dos russos, e notavam como os jornais norte-americanos não desmascaravam
automaticamente cada mentira dita pelo então candidato, sentenciando,
incessantemente, a sua derrota no estado seguinte (ainda no interior das
primárias dos Republicanos). A experiência de nacionais de outros países podem
ajudar-nos a ler a nossa própria realidade nacional. E isto, nota Snyder,
quando "a história, que durante algum tempo pareceu rumar de oeste para
leste, parece agora deslocar-se de leste para oeste. Tudo o que acontece aqui
parece acontecer primeiro lá" (p.81). A leste, Rússia, Polónia,
Hungria, seus regimes e lideranças.
17. Fica
atento a palavras perigosas - a utilização de vocábulos, nos
políticos, não raro, não é feita ao acaso. Pretende-se reconfigurar uma
realidade, ou paisagem política, com base, também, nas palavras. Atenção,
reitere-se, a palavras como "extremismo" ou "terrorismo" e
escrutine-se da sua consistência/adesão à realidade. E onde, eventualmente, nos
querem levar.
18. Mantém-te
calmo quando o impensável acontecer - não deixes que a emoção violenta
te leve a uma resposta (política) cega, que o fervor patriótico te manipule
(para uma guerra, por exemplo). Contemplando o incêndio no Reichstag, Hitler
imediatamente captou a possibilidade de tudo mudar na política interna (na caça
às bruxas que a oportunidade se lhe oferecia; ainda hoje se desconhece a
autoria do incêndio, mas, no fundo, tal acaba, para o caso, por ser
indiferente). "Depois do incêndio no Reichstag, Hannah Arendt escreveu
que "deixara de acreditar que uma pessoa pode simplesmente ficar na sua
posição de espectadora" (p.92)
19. Sê
patriota - e isso significa, por exemplo, pagares os teus impostos.
Ser patriota é diferente de ser nacionalista, não significa rejeitar e
ressentir face aos demais, mas partilhar "valores universais, padrões
pelos quais ele avalia o estado da sua nação, desejando sempre que o seu bem,
ainda que não deixe também de desejar que estivesse melhor"
(p.95)
20. Sê o mais
corajoso possível - "se nenhum de nós estiver preparado para
morrer pela liberdade, então todos nós morreremos sob o jugo da tirania"
(p.97)
sábado, 13 de janeiro de 2018
Dia do perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Li e recomendo. Magnífico!
Astronomia de Mário Cláudio
Vencedor do prémio D. Diniz 2017 da Fundação da Casa de Mateus, é um romance "autobiográfico" dividido em três partes: Nebulosa, Galáxia e Cosmos. Cada uma delas corresponde a uma fase da vida do autor. Começamos com o que recorda a infância (a vida de um menino filho único e super protegido, dos seus temores e fantasmas), e terminaremos com um, que é muitas vezes aquilo
que os velhos voltam a ser. Pelo meio, a zona mais densa, que conta a
parte fulcral da vida de um homem, de jovem a maduro, desde a sua
passagem pela guerra colonial, a universidade, a função publica, a
escrita e o reconhecimento, até à descrição de factos polémicos e
pessoais, que tem que ver sobretudo com o amor, a sexualidade e a forma
como a cultura, com o passar do tempo, se tornou pouco mais do que um
espectáculo.
https://www.leyaonline.com/pt/livros/romance/astronomia/
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
Justiça para Tod@s
Dezoito anos de prisão foi a pena aplicada ao arguido João Pedro Pinto Verdelho pelo cúmulo de penas resultante dos crimes de perseguição, ameaça, ofensa à integridade simples,ofensa à integridade
física grave e
qualificada, violação e rapto da vítima Gardénia Orquídea Sepúlveda e Saavedra e os crimes de injúria e ameaça ao seu pai.
Foi na tarde de quinta-feira, dia 14 de dezembro de 2017, que os alunos do 11.º F e 12.º G participaram na simulação de julgamento de um caso de Violência no Namoro, inserido no Projeto Justiça Para Tod@s. A escola participou pela terceira vez neste projeto que permite conhecer melhor o funcionamento do poder judicial.
O julgamento foi presidido pelo Meretíssimo Juíz de Direito, Maximiano do Vale e coadjuvado pelo Procurador do Ministério Público, Doutor Nuno Leitão. Os alunos desempenharam, com brilhantismo, todos os papéis inerentes a um julgamento, a saber, arguido, vítima, procurador, advogados de defesa e acusação, testemunhas, polícias e jornalista.
A Escola agradece a atenção, disponibilidade e amabilidade com que, muito pedagogicamente, os Senhores Magistrados orientaram todo o julgamento.
Um agradecimento especial à nossa antiga aluna, Drª Raquel Coxo, pelo acompanhamento na criação e desenvolvimento do caso.
Foi na tarde de quinta-feira, dia 14 de dezembro de 2017, que os alunos do 11.º F e 12.º G participaram na simulação de julgamento de um caso de Violência no Namoro, inserido no Projeto Justiça Para Tod@s. A escola participou pela terceira vez neste projeto que permite conhecer melhor o funcionamento do poder judicial.
O julgamento foi presidido pelo Meretíssimo Juíz de Direito, Maximiano do Vale e coadjuvado pelo Procurador do Ministério Público, Doutor Nuno Leitão. Os alunos desempenharam, com brilhantismo, todos os papéis inerentes a um julgamento, a saber, arguido, vítima, procurador, advogados de defesa e acusação, testemunhas, polícias e jornalista.
A Escola agradece a atenção, disponibilidade e amabilidade com que, muito pedagogicamente, os Senhores Magistrados orientaram todo o julgamento.
Um agradecimento especial à nossa antiga aluna, Drª Raquel Coxo, pelo acompanhamento na criação e desenvolvimento do caso.
Amnistia Internacional - Maratona de Cartas
Este ano, os alunos, professores e funcionários da Escola S/3 S. Pedro, superaram as expectativas e assinaram 864 cartas em defesa dos Direitos Humanos. Parabéns a todos os que contribuíram para o sucesso desta iniciativa.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Martha Nussbaum
Mulheres filósofas.
Com a colaboração do nosso colega Pedro Miranda, iniciámos um conjunto de posts sobre Mulheres Filósofas contemporâneas.
Com a colaboração do nosso colega Pedro Miranda, iniciámos um conjunto de posts sobre Mulheres Filósofas contemporâneas.
Em
defesa das Humanidades
Not for profit. Why democracy needs the humanities?, de Martha C.
Nussbaum.
A
democracia precisa das humanidades
porque nos relatos, nas narrativas que os romances, os contos, toda a
literatura e, bem assim, o ensaio filosófico proporcionam, encontramos, não
raramente, o ponto de vista do outro,
levando-nos, de tal sorte, a poder internalizá-lo
e a tê-lo devidamente em conta, sem o pretender eliminar, na nossa conduta e
deliberação cidadã. A literatura e a filosofia são, assim, verdadeiros
sustentáculos da coesão social e da democracia (“as artes e as humanidades desempenham uma função central na história da
democracia, mas mesmo assim, muitos pais, na actualidade, têm vergonha de que
os seus filhos estudem arte ou literatura. Ainda que a filosofia e a literatura
tenham mudado o mundo, é muito mais provável que um pai ou uma mãe se preocupem
porque os seus filhos nada sabem de negócios do que por terem uma insuficiente
formação em matéria de humanidades”).
A
democracia precisa das humanidades,
desde logo carece da maiêutica socrática por sistema desde os primeiros passos
na escola, porque serão estas que fornecerão músculo, pensamento crítico face a
toda a autoridade (indiscutida), ou a todo o condicionamento grupal face ao
qual, em muitos casos, qualquer dissensão é punida.
A
democracia precisa das humanidades
porque a vida é vida examinada, vida com sentido e o aparato de tipo
filosófico/teológico/literário é, aqui, absolutamente insubstituível.
A
democracia precisa das humanidades
porque, através delas, a imaginação – e se quisermos, em especial a imaginação moral - não enfraquecerá e,
por consequência, impedirá que haja homens e mulheres invisíveis numa sociedade (os que não têm voz, minorias, etc.): “se o verdadeiro choque de civilizações
reside, como penso, na alma de cada indivíduo, onde a cobiça e o narcisismo
combatem com o respeito e o amor, todas as sociedades modernas estão a perder a
batalha a ritmo acelerado, pois estão a alimentar as forças que dão impulso à
violência e à desumanização, em lugar de alimentar as forças que dão impulso à
cultura da igualdade e do respeito. Se não insistimos na importância
fundamental das artes e das humanidades, estas desaparecerão, porque não servem
para ganhar dinheiro. Só servem para algo muito mais valioso: para formar um
mundo no qual valha a pena viver, com pessoas capazes de ver os outros seres
humanos como entidades em si mesmas, merecedoras de respeito e empatia, que têm
os seus próprios pensamentos e sentimentos, e também com nações capazes de
superar o medo e a desconfiança em prol de um debate guiado pela razão e pela
compaixão” (p.189).
A
democracia precisa das humanidades
porque em sociedades cada vez mais complexas e plurais conhecer a história do outro, as principais convicções da sua mundividência, a sua cultura, a sua
religião/tradição, a sua língua é essencial para sociedades pacificadas (“estão a produzir-se mudanças drásticas
naquilo que as sociedades democráticas ensinam aos seus jovens, mas trata-se de
mudanças que ainda não se submeteram a uma análise profunda. Sedentos de
dinheiro, os estados nacionais e os seus sistemas de educação estão a descartar
certas aptidões que são necessárias para manter viva a democracia. Se esta
tendência se prolonga, as nações de todo o mundo em breve produzirão gerações
inteiras de máquinas utilitárias, em lugar de cidadãos plenos com capacidade de
pensar por si próprios, possuir um olhar crítico sobre as tradições e
compreender a importância dos sucessos e sofrimentos alheios. O futuro da
democracia à escala mundial está preso por um fio”, p.20)
A
democracia precisa das humanidades
porque o humano não é assim tão bonzinho
e precisa de instituições/disciplina(s) capazes de o poderem motivar/contrariar
e enquadrar num quadro de respeito pelo outro, sempre fim, nunca meio (“parece que esquecemos o que significa
acercarmo-nos do outro como a uma alma, mais que como um instrumento utilitário
ou um obstáculo para os nossos próprios planos. Parece que esquecemos o que
significa conversar com alguém dotado de uma alma, com outra pessoa que
consideramos igualmente profunda e sofisticada (…) o que me proponho destacar é
o que significa essa palavra [alma] para Alcott e Tagore: refiro-me às
faculdades do pensamento e da imaginação, que nos fazem humanos e que fundam as
nossas relações como relações humanas complexas em lugar de meros vínculos de
manipulação e utilização. Quando nos encontramos numa sociedade, se não
aprendemos a conceber a nossa pessoa e a dos outros desse modo, imaginando
mutuamente as faculdades internas do pensamento e a emoção, a democracia estará
destinada ao fracasso, pois esta baseia-se no respeito e interesse pelo outro, que
por sua vez se fundam na capacidade de ver os demais como seres humanos, não
como meros objectos”, pp.24-25)
Martha
C. Nussbaum assina, assim, um manifesto intenso contra o desinvestimento que a
mentalidade que vai prevalecendo por estes dias estabelece relativamente às humanidades, face ao inútil ou não (imediatamente) rentável. Fá-lo,
em todo o caso, a partir, em grande medida, da experiência norte-americana,
onde o ensino das artes liberais,
ainda assim, resiste, via filantropismo, à perda estatal, país no qual a tradição das humanidades presentes em grande medida no Secundário e Ensino
Superior é uma realidade (isto é, onde a não especialização imediata, onde as
disciplinas humanísticas sempre estão,
mesmo em cursos de ciências duras, e
onde as empresas buscam a abertura mental, a capacidade criativa, a
flexibilidade e imaginação de quem vem das humanidades,
onde em muitos cursos, no Superior, há turmas muito pequenas para que
sucessivos trabalhos sejam corrigidos/apurados, muita discussão em sala de aula).
Sendo
este o seu ponto de partida, também a experiência indiana (Tagore) é muito
referenciada, face ao que o teatro, a dança, a literatura podem fazer para a
compreensão entre as pessoas. Com vários dados sobre recentes experiências da
psicologia, Nussbaum foge de qualquer idealização, encontra o humano tal como
é, e é justamente por isso que lhe importa não negligenciar as artes liberais. Valoriza muito as
histórias infantis, os desenhos animados que se dão a ver às crianças, não se
ficando na elaboração abstracta, buscando o currículo e a escola que devemos
prosseguir.
Autora
que tem escritos numa linha rawlsiana, e com estudos feitos sobre as capacidades, com Amartya Sen, Nussbaum
enfatiza, ainda, a importância da responsabilidade individual numa educação
conseguida.
Pedro
Miranda
[seguimos
aqui a edição castelhana Martha C.
Nussbaum, Sin fines de lucro – por
qué la democracia necessita de las humanidades, Katz, 2010].
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
Projeto Justiça para Tod@s
Vinda da Drª Raquel Coxo à nossa escola!
Com o objetivo de orientar e esclarecer os alunos de 11.º e 12.º anos envolvidos no Projeto "Justiça para Tod@s", a nossa antiga aluna, Drª Raquel Coxo, fez uma palestra muito esclarecedora e pedagógica, sobre o enquadramento legal dos crimes cometidos no caso de Violência no Namoro que os alunos construíram com o apoio da professora Rosalina Sampaio. O caso será levado a julgamento (simulado) no próximo dia 15 de dezembro no Tribunal Judicial da Comarca de Vila Real.
Com o objetivo de orientar e esclarecer os alunos de 11.º e 12.º anos envolvidos no Projeto "Justiça para Tod@s", a nossa antiga aluna, Drª Raquel Coxo, fez uma palestra muito esclarecedora e pedagógica, sobre o enquadramento legal dos crimes cometidos no caso de Violência no Namoro que os alunos construíram com o apoio da professora Rosalina Sampaio. O caso será levado a julgamento (simulado) no próximo dia 15 de dezembro no Tribunal Judicial da Comarca de Vila Real.
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
Ida ao teatro - texto dos alunos do 9.º G
1325
El pasado día veintitrés de noviembre, mis
amigos de clase y yo fuimos al teatro con nuestra profesora de Español y
también con otra clase de décimo primer año a asistir al ensayo de la pieza de
teatro “1325”. Llegamos y entramos en una sala pequeña donde estaban tres
actores, Noelia Domínguez, Ángel Fragua
y Sérgio Agostinho.
“ 1325” se inspiró del libro llamado “1325
mujeres tejiendo la paz”, de Manuela Mesa Peinado, que fue editado por la
Fundación Cultural de la paz, Madrid. Asistimos a pequeñas escenas del
espectáculo a través de la presencia de tres abuelas que viven en un espacio
habitado por ropa y memorias. Ahí, se hace un recorrido histórico, con una
pizca de humor, sobre la lucha en contra
el racismo, los derechos de las mujeres y algunos conflictos bélicos, como el
conflicto israelo-palestino. Fue un
espectáculo muy divertido, que recomendamos, pues nos hizo reflexionar sobre los
derechos de la sociedad, más propiamente de la condición de la mujer.
Alumnos del 9ºG
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Depoimento de Daniel Sampaio
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Depoimento de Daniel Sampaio




































