domingo, 4 de março de 2018

Literacia 3DI Fase Distrital


Parabéns à Beatriz Peixoto Sá do 7º B e ao Gustavo Filipe Simões Cardoso do 8º B


sábado, 3 de março de 2018

Sessão de Poesia - Deus como interrogação na poesia portuguesa



 Pedro Miranda e David Ramos


















Sessão de poesia – Deus como interrogação na poesia portuguesa

David Ramos é um jovem vilarealense, com uma já significativa intervenção cultural no espaço público que o leva a alguns dos palcos mais carismáticos do país, como o Hard Club, onde marcará presença muito em breve. Estudante do terceiro ano de Direito, ele conjuga a proximidade e informalidade que esperaríamos encontrar num rapper, com a amabilidade e delicadeza de um gentleman. Sincronizado, sintonizando razão e emoção em cada palavra pronunciada, excelente diseur, David Ramos foi o nosso convidado para a sessão de poesia da passada quinta-feira, 1 de Março, ao fim da tarde, partindo da antologia “Verbo. Deus como interrogação na poesia portuguesa” (Assírio e Alvim, 2014), organizada por Pedro Mexia e José Tolentino de Mendonça. Conquanto a aproximação ao que de maior nada se pode pensar (Anselmo), ao que excede definições e conceitos, e convoque a necessidade de analogia, assim a unidade lectiva, no dobrar do terceiro ciclo a meses do Secundário, que se refere àquele mistério que Agostinho, nAs Confissões, chamou “mais íntimo que o meu próprio íntimo e mais sublime do que o ápice do meu ser”, demandasse também a mais densa interrogação poética. Em interdisciplinariedade, buscou-se, ainda, reforçar, nos alunos – que vieram também ao anfiteatro dizer poemas, com o mesmo pano de fundo temático, de dois autores transmontanos, diríamos como que vilarealenses de nascimento e adopção, José Augusto Mourão e A.M.Pires Cabral, respectivamente – a capacidade de encontro e aproximação à palavra poética.
Sophia, Jorge de Sena, Vitorino Nemésio, Pedro Tamen, Armando Silva Carvalho, Carlos Poças Falcão, Fernando Echevarría, Adília Lopes, Ruy Belo, Ruy Cinatti, José Bento, Cristovam Pavia, Daniel Faria: em algum momento das suas obras poéticas, cada um destes autores, vozes agora de novo escutadas ao anfiteatro da Escola de S.Pedro, confrontou-se com a questão de Deus. Para lhe dar assentimento, em alguns casos; para permanecer, eternamente, interrogação, em outros; ou, em definitivo, para se declararem, alguns, geracionalmente vencidos de uma dada pertença religioso-confessional. Não se cura, pois, aqui, de poemas de tipo catequético, arrumados à segurança e certezas sem mais.
Na indispensável e fraterna presença do grupo disciplinar de Português, bem como da Professora-Bibliotecária na sua hospitalidade acolhedora, em cada uma das mestras que “convocam para o significado” – papel do professor das Humanidades, segundo George Steiner – neste derradeiro ano do terceiro ciclo, ouvimos, com idêntica devoção, o modo como a Catarina Monteiro, o António Reis, a Joana Ramos, o Afonso Castro e a Carolina Soares puderam bem interpretar nomes maiores da poesia portuguesa contemporânea. E concluímos, com essa dádiva do antigo aluno que regressou, pródigo, a casa, na parábola que assinou e disse na primeira pessoa, poema sacado do bolso, com os refugiados caídos ao Mediterrâneo e a perplexidade de um Job frente ao mal que um Deus silente consentiria afinal, teodiceia, sempre ao largo, na pergunta pelo mal, nela mesmo, de quem o não naturaliza e, portanto, não aceita, e com ele continua, felizmente, a indignar-se - nessa mesma indignação, diria João Manuel Duque, desde logo, essa divina presença. Ou, muito poeticamente a encerrar a indagação, com Gottfried Benn:
Muitas vezes me tenho interrogado, mas sem encontrar resposta,
sobre de onde provém a doçura e a bondade.
Ainda hoje não o sei, e agora tenho de partir.

Pedro Miranda

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Canguru Matemático Sem Fronteiras



Participação no Concurso “Canguru Matemático Sem Fronteiras”


 
A Escola S/3 S. Pedro irá participar, uma vez mais, neste concurso, o qual se realizará no dia 15  de março, das 15 horas às 16 horas e 30 minutos.

Para que possas ir treinando e conhecer provas de anos anteriores, podes aceder à página oficial do concurso, através do endereço:
Inscreve-te junto do teu professor de Matemática.
Junta-te aos mais de 6 000 000 de participantes a nível internacional.
Participa!!!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Epistocracia

Mais uma reflexão do Pedro Miranda.





Um conjunto de politólogos viu surgir, nos últimos anos, a Epistocracia como o regime que, de algum modo, foi rivalizando, ou pode vir a rivalizar com a Democracia, em termos de atractividade para o eleitorado (note-se que 67% dos portugueses aprovam, nos mais recentes inquéritos, divulgados por Conceição Pequito, em A qualidade da democracia em Portugal, FFMS, 2018, um governo de especialistas/técnicos). Termo cunhado por Estlundespistocracia significa o governo dos sábios. Ou, mais propriamente, "um regime político é epistocrático na medida em que o poder político é formalmente distribuído de acordo com a competência, a capacidade e a boa-fé para agir com base nessa capacidade" (na definição do filósofo político Jason Brennan, em Contra a democracia, publicado pela Gradiva, em 2017).
Se os estudiosos discutem se, na RepúblicaPlatão estava a falar a sério quanto à ideia de um rei-filósofo para governar a cidade, Jason Brennan, por seu turno, garante que a epistocracia não está dependente de um rei-filósofo ou de uma classe protectora. Há várias outras formas possíveis de epistocracia, a saber:
a) Sufrágio restrito: os cidadãos podem obter o direito legal a votar e a concorrer a eleições apenas se forem considerados (por algum tipo de processo) competentes e/ou suficientemente bem informados. Este sistema envolve um governo representativo e instituições similares às das democracias modernas, mas não confere o poder de voto a todas as pessoas. Em todo o caso, o direito de voto está muito difundido, ainda que não tanto como numa democracia;
b) Voto plural: tal como numa democracia, cada cidadão tem um voto. No entanto, alguns cidadãos, aqueles que são considerados (por meio de algum processo legal) mais competentes ou bem informados, têm votos adicionais. Por exemplo, Mill defendeu um regime de voto plural. Como referido anteriormente, pensava que o envolvimento das pessoas na política tendia a enobrecê-las. Contudo, preocupava-o que demasiados cidadãos fossem incompetentes ou insuficientemente cultos para fazerem escolhas inteligentes nas urnas. Defendia, portanto, que se concedessem mais votos às pessoas com mais habilitações académicas;
c) Credenciamento aleatório: os ciclos eleitorais ocorrem como normalmente, excepto que, por norma, nenhum cidadão tem direito a votar. Imediatamente antes da eleição, milhares de cidadãos são seleccionados aleatoriamente para se tornarem pré-votantes. Estes pré-votantes obtêm o direito de votar, mas apenas se participarem em determinados exercícios de desenvolvimento de competências, como fóruns de deliberação, com os seus concidadãos;
d) Veto epistocrático: todas as leis devem ser submetidas a procedimentos democráticos por meio de um órgão democrático. Porém, um órgão epistocrático com um conjunto restrito de membros tem o direito de vetar as leis aprovadas no órgão democrático;
e) Votação ponderada/governo por oráculo simulado: todos os cidadãos podem votar, mas, ao mesmo tempo, devem preencher um questionário relativo a conhecimentos políticos básicosOs seus votos são ponderados com base no conhecimento político objectivo, talvez ao mesmo tempo que se examina estatisticamente a influência racial, do nível de rendimento, do sexo e/ou de outros factores demográficos.

Olho para estas experiências como "puramente intelectuais", académicas. No seu "excesso", elas, contudo, iluminam fragilidades de muitas das nossas democracias - o fraco empoderamento democrático de muitos dos nossos cidadãos, que não estão "bem informados", nem nunca "desenvolveram competências, como fóruns de deliberação, com os seus concidadãos", nem demonstram nenhum "conhecimento político objectivo" -, muito palpáveis no nosso quotidiano, e poderão permitir, com alguma caricatura, apontar para lugares - em particular, o momento da escola e da educação - fundamentais para que esse robustecimento democrático ocorra. Neste sentido, não vejo sequer que este conjunto de boas provocações estejam muito longe da reivindicação de cadeiras de "ciência política", digamos assim (em sentido lato), no ensino obrigatório que fizeram parte do caderno de encargos de movimentos, não conservadores, mas radicais. Iniciativas como o Parlamento dos Jovens, entre muitas outras como orçamentos participativos, etc, estão a ir nesse sentido. Há a disciplina de "Filosofia Política", no Secundário, como opcional, em algumas escolas. Mas, desde logo, tal cadeira é opcional (e, portanto, não universal).

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