quinta-feira, 2 de maio de 2019

A importância das abelhas

No próximo dia 9 de maio, pelas 11.30, Paulo Santos, escritor e apicultor, visita a nossa escola para uma palestra sobre a importância das abelhas para o meio ambiente.
Com obra publicada sobre esta temática, As aventuras da Cuscas, promete ser uma atividade muito educativa para os alunos do Ensino Básico.
As turmas e professores interessados, devem inscrever-se na Biblioteca.


 

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Cidadania - Eleições europeias


A reflexão de Pedro Miranda sobre as eleições europeias, escrita em 2014. Mantém-se atual...


1.As recentes eleições europeias constituíram um momento fulcral, verdadeiramente determinante para avaliação e decisão acerca do nosso futuro colectivo. Para quem quer ver, o diagnóstico é absolutamente claro: a participação de Portugal na zona Euro, na medida em que significou o abandono da nossa soberania monetária e cambial, e sem que a arquitectura institucional da União Europeia consagrasse elementos como a a) união de transferências; b) harmonização fiscal entre os países dela integrantes; c) capacidade de um (hipotético) Estado Federal prosseguir políticas contra-cíclicas em momentos de recessão (nos estados federados); d) banco central com preocupações não apenas ao nível da inflação, mas da criação de empregocrescimento económico e prevenção de crises (funções que, por exemplo, a Reserva Federal norte-americana tem), e) união bancária; f) algum modo de – pelo menos, parcial -mutualização da dívida gerou constrangimentos muito fortes na nossa economia que, com o actual status quo, se torna impossível de ultrapassar.

2.Perante esta constatação, dois caminhos-limite se nos colocam: i) voltar para trás e regressar às moedas nacionais (entre nós, no fundo, a tese de João Ferreira do Amaral); ou ii) dar um salto federal, mais parcimonioso ou mais rápido, mas que implique, sempre, a construção de elementos institucionais/arquitectónicos como os acima mencionados (em Portugal, a tese de Viriato Soromenho-Marques).

3.Existindo forças políticas que sustentavam e acomodavam estas diferentes posições, nas mais recentes eleições a que fomos chamados, era especialmente sobre isto que deveríamos ter estado a discutir nos últimos meses (fosse essa discussão centrada num debate constitucional/constituinte europeu, fosse centrado nas políticas concretas mas que colidissem com essas escolhas de natureza estrutural), para que a opção por um dos caminhos vindos de enunciar fosse clara/consciente. Seja como for, o voto massivo de protesto, a vitória de nacionalismos múltiplos, tornou, de per se, já hoje, mais difícil a segunda das opções, isto é, de algum modo o caminho para um modelo de tipo federal.

4.E, no entanto, parecia-me, claramente, que esse seria o caminho preferível. Revejo-me, aliás, por completo, na formulação de Viriato Soromenho-Marques: “Não estou confiante de que o país, no final, não tenha de regressar a um sistema monetário próprio, mas os custos desse regresso serão tão dolorosos, a todos os níveis, que essa não deve ser a opção estratégica, mas a opção de recurso. O que J.F. Amaral estima ser um objectivo prioritário, considero eu como cenário derradeiro que só deve ser ponderado depois de termos tentado (e falhado) influenciar, com veemência argumentativa e uma rede sólida de alianças, uma verdadeira viragem federal na União Europeia” (Portugal na queda da Europa, pp.92-93). Estamos a meio da ponte. Na Inglaterra do séc.XIX, demorou-se quase 100 anos a resolver um problema de dívida de 200% do PIB para 30% do Produto. Nos termos das democracias contemporâneas, tal qual as conhecemos, julga-se muito difícil que as pessoas/cidadãos aceitem/sufraguem uma opção desta natureza (releiam-se os roteiros de Cavaco e as décadas que imagina para que a nossa dívida seja paga). Uma austeridade para um século. Daí que dentro de uma legislatura, seja improvável que não tenhamos saído do mesmo sítio. A questão, claro, é saber para onde vamos.

5.A dúvida maior – alguns diriam, um foco de esperança - parece residir em como se solucionará o seguinte enigma: como conciliará a Alemanha a pretensão de manter o euro– uma espécie de marco à escala europeia que favorece o tipo de paradigma económico em que se sustentam os germânicos e, por isso, apoiado pela sua elite política e empresarial, como assinala Félix Ribeiro – e, simultaneamente, não dar passos para uma Europa de tipo federal, quer dizer, como manter, sem nada dar em troca, por exemplo no espaço de uma legislatura, tudo como até aqui, se alguns dos povos, face a ilimitados sacrifícios, tenderem a rejeitar a moeda única? Teremos “uma Europa, dois euros”?

6.No seu Portugal na queda da Europa, Viriato Soromenho-Marques recupera a visão do filósofo Thomas Hobbes sobre o que seria o estado natureza dos indivíduos (a quando da inexistência de uma autoridade central forte, o Estado): a guerra de todos contra todos. Analogicamente, aplica a teoria aos Estados: sem que estejam sob uma comum partilha e autoridade (federalismo) e caindo no isolamento nacional, a guerra de todos contra todos tornar-se-á uma possibilidade, uma probabilidade nada negligenciável.

7. Sopesando esta advertência, atentando na radiografia e balanço à nossa participação na zona euro, e com os resultados eleitorais conhecidos percebe-se, em definitivo, que chegou um dos tais momentos de verdade que os povos atravessam. Pena que por ser mais fácil falar em primárias de legislativas do que explicar as competências do BCE e seu significado; pena que por ser mais complexo conversarmos sobre a harmonização fiscal na Europa e sua repercussão para a existência – ou inexistência – de Estados Sociais (robustos) do que embarcar em protestos fulanizados em personagens sem o menor pensamento europeu estruturado, atravessemos esse momento tão desinspirados, tão desinformados, tão desconhecedores.
Pedro Miranda

terça-feira, 23 de abril de 2019

23 de abril - Dia Mundial do Livro






 O Dia Mundial do Livro comemora-se desde 1996 a 23 de abril.

Na Catalunha é oferecida uma rosa a quem comprar um livro. Na Biblioteca da Escola, como já vem sendo tradição, oferecemos um cravo vermelho a quem requisitar um livro para leitura domiciliária.



sexta-feira, 5 de abril de 2019

sexta-feira, 22 de março de 2019

Literacia 3Di

Participação das nossas alunas no concurso Literacia 3Di

Parabéns às alunas Marta Azevedo do 7.º B e Maria Correia do 8.º D




quinta-feira, 21 de março de 2019

Dia Mundial da Poesia


Sessão de poesia com João Vaz Ribeiro




Se conseguisse apenas caminhar, quando caminho;
apenas inspirar e expirar; orar apenas,
em estado de oração - seria um vivo; os meus sentidos
noticiavam Deus ao mesmo Deus, em transparência;
o Espírito viria a este lado como Ele é
do Lado Seu, encarnação sem mácula, trazendo
ao limite o que é ilimitado, a uma forma
o informal, à vigília o que é Sono Profundo.

Sono Profundo! O girassol aberto da existência,
a nitidez da paz de cada ser visto do centro!
E o milhão de grânulos imersos no fulgor,
moventes, semoventes, capturados no seu âmbar
de alegria, no seu arco vital de uma tontura.

Porém, quando caminho, faço escolhas - e o mal
não está no escolher, mas na fractura de me ver
em parte num caminho, em parte noutro e num terceiro
e em muitos mais ainda, dividido, em surda guerra
de mim comigo mesmo, acusado, amotinado,
desfeito por soberbas, estultícias, teimosia.

Também a oração é facilmente afugentada
devido à predação dos pensamentos, à batida
dos erros que há por trás dos pensamentos; ao fascínio
das frases que armadilham esses erros; e ao cerco
do código do mundo que fraseia os pensamentos.

E do Sono Profundo, inteligência transparente,
assim me troco em ânsia, espessidão, vigília e medo.
Se conseguisse apenas caminhar, quando caminho;
apenas inspirar e expirar; orar apenas,
em estado de oração - seria um vivo.

Carlos Poças FalcãoSombra Silêncio, p.11

[antes e para lá das palavras, de todas as distracções, de todo o supérfluo; recriminação pelo que gizamos, do ruído que criamos, e nos afasta do Ser; nesse concentrado sem pensamentos, sem palavras para dizer, no silêncio, e apenas a sermos encontrá-Lo-íamos, encontrá-lo-emos; sem estratégias de fuga - o passado, o futuro -, sem circundar por objectos e objectivos, sem planos, sem gramática que não a do silêncio; estando no mundo, fazemos escolhas, e conseguir que elas estejam à altura do que professamos, do que entrevemos, do que intuímos e tocamos, sem nos fracturarmos sem vários que nos impedem de saborear a aproximação a esse concentrado em que nos realizamos; aqui, de novo, assoma, de algum modo, o Guardini de "O espírito da liturgia"]


Eu sou a noite
eu sou a espera inútil, a vasilha que ressoa.
A minha alma é nova, mas espero desde sempre.
Como o deserto espera pela gota que há-de vir
eu não procuro e abro-me em espera, eu acredito
no cálice vazio, na cisterna por encher.
Eu sou a obediência, a saudade em sua teia.

Podem correr mil anos: eu cá estou como na origem
no tempo da promessa, na alegria então vertida.
Porque eu sou a memória transparente que não cessa
lembrança do desejo de um Um só, coisa nenhuma.
Em mim nada se cumpre a não ser a própria espera
silente e confiada, impecável e segura.
Em mim todos procuram, sem saber, alguma aurora
- mas só eu sou a aurora. Sou a noite e sou a aurora.

Carlos Poças FalcãoSombra Silêncio, Opera Omnia, 2018, p.9.


[Deus presente no desejo de Deus, não na 'posse' (idolátrica): "em mim nada se cumpre a não ser a própria espera silente e confiada, impecável e segura"; que o Nada seja outro nome de Deus, escreve Halík, na esteira de Mestre Eckhart: "eu acredito no cálice vazio, na cisterna por encher"; aposta: "Eu sou a obediência, a saudade em sua teia"; precisamos de adimplemento: "como o deserto espera pela gota que há-de vir", completude que advém somente do exterior fundamento da pessoa, O Deus único, amor, não um ente entre os entes, não uma coisa: "lembrança do desejo de um Só, coisa nenhuma", e a "alegria então vertida", permanece, como na origem, a confiança existencial "no tempo da promessa". No que se tacteia sem forma completamente divisada, sem definição exacta, na fuga a uma completa "compreensão", "noite"; na promessa que permite o dia inicial, a alegria da promessa, "aurora"].

Carlos Poças FalcãoSombra Silêncio (Apresentação)

Carlos Poças Falcão nasceu em Guimarães, em 1951. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, exercendo a advocacia durante alguns anos. Abandonaria este ofício para se dedicar à docência e à escrita. Não vê televisão, nem está nas redes sociais, “pois os olhos ficam presos e a alma não tolera a serpente das imagens que emite servidão”. Publicou o seu primeiro livro em 1987.
De Carlos Poças Falcão dirá o também poeta e prestigiado crítico Manuel de Freitas, no Expresso de 1 de Dezembro de 2018, tratar-se de “um dos mais importantes e discretos poetas portugueses contemporâneos”, no que é corroborado, por Diogo Vaz Pinto, a 7 de Dezembro, no jornal I, em um ensaio no qual assinala que Carlos Poças Falcão vem trilhando “um dos mais significativos percursos poéticos da nossa poesia”.
O livro sobre o qual iremos escutar alguns poemas, ditos por João Vaz Ribeiro, Sombra Silêncio, foi eleito, pelos críticos literários do jornal Público como o “Livro de Poesia do ano”, em 2018, em Portugal. E é finalista do Prémio para Melhor livro de poesia do ano, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores.
Sobre Sombra Silêncio, o crítico Hugo Pinto Santos fala de um livro que é uma “busca por uma possibilidade de sentido para o humano, enquanto carne e espírito”, uma poesia que se interroga, uma escrita que é causa e consequência da inquirição do humano e do transcendente. O sujeito poético, nestes termos, apresenta-se-nos, pois, despido perante a “violência da questionação”. Numa palavra, esta poesia reflete, sem receios, acerca da condição humana, sem obliterar a desumanidade que, na maior parte das vezes, a define. Ainda seguindo o crítico do Público, “a reflexividade e a meditação de teor metafísico nunca [nesta obra] transporta o poema para os terrenos indesejáveis da soberba, do proselitismo ou da afectação”. E isto, porque “o carácter intelectualista, ou mesmo especulativo, desta poesia não traduz uma vontade impositiva de persuasão”. Uma poesia que fala dos cães, dos arrabaldes, da tensão alta – é desse terreno, desse chão que (então) se perscruta o transcendente.
Se os poemas iniciais de Sombra Silêncio indiciam uma filiação bastante expressiva – «uma espera silente e confiada» -, de contornos claros, com o «objecto» de indagação, Deus, a adquirir certa proximidade, compreenderemos, ao longo do trajecto do sujeito poético que, a dado momento, e para usar a expressão de Manuel de Freitas, sobressai um “inequívoco desalento”. E, todavia, não se dá, neste – no sujeito poético -, ainda assim, um mergulho no desespero: «A graça, no entanto, guia ao eixo os descaminhos”. Do que se trata, refere Diogo Vaz Pinto, é de preferir a lucidez à impaciência, no que aqui parece, de algum modo, permitir acolher uma “teologia negativa” (isto é, aquela corrente teológica que, ao longo dos tempos, sublinhou que sobre Deus apenas pode dizer-se o que Ele não é) [e cito]: “o poeta diz-nos que o que nos faz tremer é que essa «escuridão profunda não se deixa imaginar». Esse limite, que nos devasta de cada vez que tentamos vislumbrá-lo, mostra que a morte se impõe, afinal, contra o próprio mundo, e, na sábia inversão que fez Leopoldo María Panero, o que parece é que é a vida que nesse instante se lança contra o nosso ser”.
Sombra Silêncio, nas palavras do próprio autor, Carlos Poças Falcão, é a reunião de poemas muito esparsos no tempo, no espírito e no estilo, alguns dos quais remontam a finais dos anos 80 do século passado. Poemas, quase meia centena, que são, regista Vaz Pinto, “uma integração da sua voz à densidade dos ritmos que ressoam desde tempos ancestrais”, uma voz, dirá António Guerreiro, de uma extraordinária “exuberância imagética” que segue o caminho inverso do da secularização.
Por detrás destes versos, desoculta Carlos Vaz Marques, em “O livro do dia” (na TSF), há um “programa insubmisso”: o de resistir e construir uma armadura “contra a vozearia do mundo” (“calar e apagar, desconectar, desaparecer”). O jornalista e editor qualifica Poças Falcão como “eremita do tempo moderno, ele bebe a cerveja no último reduto e vai pelas ruelas, em vez das avenidas, perdendo os autocarros, o metro, os mensageiros que fluem sem ter rosto pela solidez do mundo”.

O poeta Manuel de Freitas destaca o “nível elevadíssimo destes poemas”, o “rigor desta escrita”, em suma, “um livro magnífico” do qual extrai dois versos em forma de síntese: “O horror é a matéria deste ar que respiramos/mas os pulmões adâmicos foram feitos para a beleza”.
Ao longo dos próximos 25-30 minutos, escutaremos poemas desta obra selecionados e lidos por João Vaz Ribeiro, engenheiro (e, já agora, quase arquitecto também), alguém com vasta experiência enquanto diseur de poesia, nomeadamente a alunos dos mais variados graus de ensino.
A intervalar conjuntos de quatro poemas ditos por João Ribeiro, escutaremos, ainda, outros poetas – Adélia Prado, Sophia, Hélia Correia, José Augusto Mourão, José Tolentino de Mendonça – pela voz dos nossos alunos, assim também intérpretes desta manhã de poesia.

Muito obrigado.
Pedro Miranda




sexta-feira, 15 de março de 2019

Aquaquiz - participação da escola

O Aquaquiz é um jogo pedagógico em formato de quiz que tem como objetivos promover a literacia ambiental e a sensibilização para o valor da água. Com início a 1 de fevereiro e dirigido a alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico, termina a 17 de maio.
Os alunos da Escola Secundária São Pedro têm participado com entusiasmo!





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