terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Autora do mês - Sophia


Recordamos outra homenagem da Escola a Sophia de Mello Breyner Andresen
Dia Mundial da Poesia 




Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de novembro 1919 no Porto, onde passou a infância. Em 1939-1940 estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia. Na sequência do seu casamento com o jornalista, político e advogado Francisco Sousa Tavares, em 1946, passou a viver em Lisboa. Foi mãe de cinco filhos, para quem começou a escrever contos infantis. Além da literatura infantil, Sophia escreveu também contos, artigos, ensaios e teatro. Traduziu Eurípedes, Shakespeare, Claudel, Dante e, para o francês, alguns poetas portugueses.

Em termos cívicos, a escritora caracterizou-se por uma atitude interventiva, tendo denunciado ativamente o regime salazarista e os seus seguidores. Apoiou a candidatura do general Humberto Delgado e fez parte dos movimentos católicos contra o antigo regime, tendo sido um dos subscritores da "Carta dos 101 Católicos" contra a guerra colonial e o apoio da Igreja Católica à política de Salazar. Foi ainda fundadora e membro da Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Após o 25 de Abril, foi eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975, pelo círculo do Porto, numa lista do Partido Socialista. Foi também público o seu apoio à independência de Timor-Leste, consagrada em 2002.

A sua obra está traduzida em várias línguas e foi várias vezes premiada, tendo recebido, entre outros, o Prémio Camões 1999, o Prémio Poesia Max Jacob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana – a primeira vez que um português venceu este prestigiado galardão. Com uma linguagem poética quase transparente e íntima, ao mesmo tempo ancorada nos antigos mitos clássicos, Sophia evoca nos seus versos os objetos, as coisas, os seres, os tempos, os mares, os dias.
Faleceu a 2 de julho de 2004, em Lisboa. Dez anos depois, em 2014, foram-lhe concedidas honras de Estado e os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.

https://www.bertrand.pt Sophia Breyner


domingo, 1 de dezembro de 2019

Reciclar com responsabilidade

Porque é que nem todo o papel e cartão pode ser reciclado?

Porque o papel  e cartão para serem reciclados deverão manter inalteradas as suas propriedades originais.
 
O  papel e o cartão, pela sua natureza, são absorventes (em maior ou menor escala). Desta forma, quando em contacto com outros produtos (especialmente líquidos) têm tendência a absorve-los, o que leva a que as suas propriedades fiquem alteradas. Por este motivo, não é possível reciclar papel sujo com gordura, embalagens de cartão com gordura (ex. caixas de pizza), papel de cozinha, lenços de papel e guardanapos sujos, etc.
 
Por outro lado, papéis plastificados, papéis autocolantes, sacos de cimento, toalhetes e fraldas por estarem em contacto com outras substâncias ou por lhe terem sido incorporados outros produtos (como é o caso da plastificação) não podem ser reciclados juntamente com o restante papel e cartão. Estes tipos de papel deverão ser encaminhados para a fração indiferenciada dos resíduos, vulgo "lixo”, para que tenham o correto encaminhamento a dar a este tipo de material e desta forma não contaminem o papel e cartão limpos.
 
Se cumprirmos este simples procedimento, será possível encaminhar muito mais papel e cartão para reciclagem e desta forma contribuir para a poupança de recursos naturais e energia.
 
Recapitulando: papel e cartão limpo é SEMPRE no ecoponto Azul!
 
Ver mais informação aqui

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

A crónica de Pedro Miranda


Olhar o sol de frente
1.Se, como refere Jurgen Habermas, os direitos humanos são uma espécie de codificação secularizada do cristianismo; se, como comummente se aceita, a dignidade da pessoa é a trave em que assentam os sistemas jurídicos ocidentais; e se o pressuposto do livre-arbítrio, da existência, em algum grau, ainda que condicionado, de liberdade, presente na pessoa e nas suas ações, sustenta elaborações morais – em conceitos como responsabilidade ou dignidade – e enquadra e baliza os nossos quadros penais, então é caso para dizer, lendo-se vários dos nossos cientistas e filósofos da ciência que estes alicerces que subjazem e regulam o nosso devir social se encontram sob forte questionamento e/ou ataque, no que, a tornarem-se hegemónicos, ou alteraria por completo um modus vivendi como é o nosso ou implicaria, pelo menos, a mais clara consciência de que assentamos numa areia completamente movediça ou ficcional.

2.Exemplifico com um manual recente do biólogo, académico na Universidade de Stanford, Robert M. Sapolsky, intitulado “Comportamento”. Nele, o autor, considerando que o livre-arbítrio, pura e simplesmente, não existe, entende que os nossos sistemas penais deviam mudar totalmente. Conclui o mesmo afirmando, contudo, com uma certa ironia (do género: as pessoas não aguentariam tanta verdade), que realmente é melhor deixarmos a negação do livre-arbítrio para o momento em que se está a julgar alguém (nomeadamente, em termos jurídicos, mas não só necessariamente) - digamos, para se ser mais compreensivo com o outro. Porque, em realidade, um mundo sem livre-arbítrio é, também, um mundo sem "mérito", o que significa que, rigorosamente, não haveria por onde - ou porquê - elogiar (alguém). E o mundo onde não o pudéssemos fazer – por sabermos que isso não se justificaria – seria um lugar ainda mais frio do que este. Palavras como "responsabilidade", "dignidade", "pecado", etc. dificilmente aqui teriam lugar.

3.A negação do livre-arbítrio dá-se, não raramente, pela atribuição de um determinismo de tipo biológico, presente no indivíduo (seja de modo inato, seja na formação/formatação/maturação cerebral em função do ambiente/experiência em que aquela se deu, mas que assume o corolário, senão inevitabilidade, no comportamento que o sujeito manifesta).
Diversamente, creio que existem boas razões para acreditar nalguma forma de livre-arbítrio. É minha convicção que é especialmente útil a teorização M.R.Bennett e P.M.S. Hacker, em Fundamentos filosóficos da neurociência, Instituto Piaget, 2005: “se queremos compreender como é que uma pessoa normal raciocinou da forma que o fez, pensou o que pensou, tem os objetivos e propósitos que tem, e porque decidiu o que decidiu, formou tais e tais intenções e planos, e agiu intencionalmente, não há nenhuma justificação neurocientífica que nos esclareça o que queremos ver esclarecido (...) E se a nossa explicação tornar inteligível o seu raciocínio, não é preciso acrescentar mais nenhuma informação sobre os eventos neurais do cérebro. O máximo que uma explicação neural conseguiria fazer seria explicar o modo como era possível à pessoa raciocinar convincentemente (ou seja, que formações neurais têm de estar no seu devido lugar para dotar um ser humano com tais e tais capacidades intelectuais e volitivas), mas ela não consegue relatar o próprio raciocínio, quanto mais explicar a sua força. (...) se A matou B, podemos querer saber a razão. Podem dar-nos uma razão, mas mesmo assim podemos continuar insatisfeitos, querendo compreender melhor - mas o «melhor» que queremos compreender é muito provavelmente o motivo de A, e não os eventos neurais ocorridos na altura do assassínio. Queremos saber se ele matou B por vingança ou ciúmes, por exemplo, e isso exige uma narrativa muito diferente de tudo o que a investigação neurocientífica conseguiria produzir. A explicação da acção por redescrição, por citação de razões de actuação, ou pela especificação dos motivos do agente (e há outras formas de explicação de tipos relacionados com estes) não são substituíveis, mesmo em princípio, por explicações em termos de eventos neurais no cérebro. Este assunto não é empírico, mas lógico ou conceptual”.

4.Isto não implica, de modo algum, que o que a biologia nos informa não seja fundamental para melhorarmos os nossos sistemas reguladores.
Uma questão levantada pelo investigador é: qual deveria ser o Q.I. de corte para que alguém seja considerado suficientemente esperto para, nos termos da lei norte-americana, ser executado? O padrão é um Q.I. de setenta ou mais, e a discussão é se deveria ser uma média de setenta em vários testes de Q.I., ou se atingir esse número uma vez é o bastante para a pessoa ser executada. Uma questão relevante para cerca de 20% daqueles que se encontram no corredor da morte, nos Estados Unidos da América. Qual o quantum de destruição do córtex frontal para que alguém não seja considerado responsável (culpado), dado que uma grande parcela dos detidos no corredor da morte tem um histórico de lesões no córtex frontal? Com a neurociência a fazer cada vez maiores revelações acerca dos pensamentos, estaremos a aproximar-nos de uma deteção pré-crime, tentando provar quem irá cometer um crime? "Teremos de tomar uma decisão acerca do crânio como domínio privado" (p.703) (aqui ressoam mesmo as questões de Minority Report, um conto de Philip K. Dick que no cinema teve Tom Cruise como principal protagonista, mas que, na nossa realidade, significariam um sucumbir, ainda mais completo do que hoje, a uma vigilância totalitária). Uma outra constatação muito relevante, neste contexto: dados de revistas científicas, nos EUA, mostram que juízes julgam de forma mais dura quando a barriga "está a dar horas". Em termos genéricos, observa Sapolsky, "o que tem de ser abolido [no Direito] é a ideia de que a punição pode ser merecida e que punir é algo virtuoso" (p.732). Para quem nega o livre-arbítrio, como o autor, a punição até pode ser útil, em se provando dissuasora. Mas "merecida", num mundo determinista, não. Coisa diferente, é afastar da sociedade pessoas que estão "determinadas" a serem perigosas, nalguns casos sem possibilidade, até, de se reabilitarem - sim, essas pessoas devem ser afastadas para uma ilha remota. Mas não porque o "mereçam".

5.E, no entanto, se dados de neuroimagem, nomeadamente eletroencefalogramas são válidos nos tribunais indianos, relativamente ao apuramento da resposta à questão: "este cérebro está a mentir?", Robert M. Sapolsky reconhece: "não conheço nenhum especialista que ache que a técnica é suficientemente precisa". Aqui, por exemplo, fiquemos com duas noções: não é o cérebro, mas a pessoa que mente ou que diz a verdade; por outro lado, aquela técnica não é fidedigna.

6.Concluo com Denis Noble, e a necessidade de alargarmos o espectro num mundo que tende a tornar-se absolutamente reducionista e arrogantemente redutor: “não podemos, de forma coerente, negar a nossa própria racionalidade. De contrário teríamos dificuldades em expressar o que dizemos ou de ser convincentes ao dizê-lo, que é precisamente o que acontece no triste caso das pessoas mentalmente doentes que, não obstante estarem cientes da sua irracionalidade, não a conseguem resolver. Se conseguíssemos ter êxito na «redução» do comportamento racional à simples causalidade molecular ou celular, então deixaríamos de ter capacidade de exprimir com sentido a verdade daquilo que conseguimos fazer. Mas, felizmente, essa redução não é concebível."

7.No mundo do positivismo, daquele mundo que considera que nada mais há do que aquilo que segundo o método experimental existe, o conselho de um amigo, uma sentença de um juíz, as reflexões de um sábio, as conversas de um psicólogo não têm validade (não valem nada). A beleza ou o amor não existem - ou, então, são a sinapse xpto.
Pedro Miranda

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Poema do Mês - escolhido por António Mestre - 8º C

POEMA DA MINHA NATUREZA


Crescem as flores no seu dever biológico,
e as cores que patenteiam, por sua natureza,
só podem ser aquelas, e não outras.
Vermelhas, amarelas, cor de fogo,
lilases, carmesins, azuis, violetas,
assim, e só assim,
tudo conforme a natureza.
Ásperas são as folhas, macias, recortadas
ou não, tudo conforme;
e o aprumo como tal,
ou rasteiras, ou leves, ou pesadas,
tudo no seu dever,
por sua natureza.

É como os animais.
Em cada qual, por sua natureza,
todo o dever se cumpre.
Comem, dejectam, dormem,
fazem amor nas horas competentes,
lutam, caçam, agridem,
rosnam à Lua, trinam, assobiam,
escondem-se, espreitam, fogem, amarinham,
dançam, mudam de pele, agacham-se, disfarçam-se,
tudo conforme a sua natureza.

Assim eu penso, e amo, e sofro, e vou andando.
Tudo conforme a minha natureza.

António Gedeão, Obra Completa

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Vamos imaginar como seria a minha biblioteca ideal

No dia internacional das bibliotecas escolares, 28 de outubro, os alunos das turmas de 7º ano foram convidados a imaginar como seria a sua biblioteca ideal.
Como as nossas instalações são provisórias, o objetivo era aproveitar as ideias inovadoras dos alunos para a organização dos espaços da nova biblioteca.
Os resultados foram animadores, muitos alunos acharam que as instalações já são muito boas, por ser grande e ter muitos livros. Outros preferiam ter mais sofás, consolas para jogar e filmes com pipocas.





segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Atividades do Clube Ciência Viva



“Histórias de Ida e Volta”
na Viarco e no Museu da Chapelaria

No passado dia 30 de outubro, as turmas do 11º E e do 11º G, envolvidas no projeto "Histórias de Ida e Volta", pertencente ao Clube Ciência Viva, deslocaram-se a S. João da Madeira com o intuito de visitarem a Viarco e o Museu da Chapelaria.

Ao visitarem estas indústrias, os alunos puderam vestir as batas de operários e inalar os cheiros a grafite e a feltro e assim contactar com dois espaços industriais que possuem um valor social acrescido pela sua potencialidade como lugares de referência ao passado histórico, mas também como espaços de reflexão sobre questões do presente e do futuro.

A VIARCO é a única fábrica de lápis em Portugal, e, provavelmente, uma das mais versáteis a nível mundial. A sua história remonta ao ano de 1907 e naquela época era conhecida como "Portugália - Fábrica Portuguesa de Lápis". Só em 1931, tem um ponto de viragem, quando Manoel Vieira Araújo, industrial experiente da chapelaria, adquire a empresa. No ano de 1936 é registada a marca que se tornaria emblemática para o país e acompanharia gerações de portugueses até aos dias de hoje - Viarco. Esta empresa sempre atenta à evolução do setor produz uma vasta gama de lápis técnicos e de uso comum e concebe produtos específicos por encomenda. Sem descurar a parte social, a empresa associa-se frequentemente em parcerias com instituições ligadas à educação, cultura e solidariedade.

O MUSEU DA CHAPELARIA nasceu de uma antiga fábrica de chapéus, em 2005. Único na Península Ibérica, o museu é uma homenagem aos homens e mulheres que fizeram da indústria chapeleira uma das atividades de maior importância na história do concelho. Neste espaço museológico, os alunos encontraram imagens e peças que ilustram o modo de produção dos chapéus, mas também a dimensão humana, social e cultural de uma comunidade para a qual esta atividade assumiu, desde sempre, papel de relevo.
Apesar do dia chuvoso, os alunos tiveram uma visita de se lhe tirar o chapéu!










A IMPORTÂNCIA DA LEITURA

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