domingo, 7 de outubro de 2018

Álvaro Domingues - Volta a Portugal



Mais um ano em que podemos contar com a preciosa colaboração do nosso colega Pedro Miranda.
Desta vez, traz-nos uma leitura de "Volta a Portugal" de Álvaro Domingues.



Como se explica um lugar?

1.Como se cartografa, como se explica um lugar? Como se insere o leitor, mais próximo ou mais distante, na épica e no sentido de certo solo? Vejamos, para o caso português, a serra da Estrela. Como dizer o que é, como é a Serra da Estrela? Se acompanharmos o exercício do geógrafo Álvaro Domingues, em Volta a Portugal, compreender a Serra da Estrela passa por: procurar entender a montanha, ela mesma, enquanto espécie de cume místico, com(o) uma essência que remete para uma forte dimensão espiritual; assim, a necessária recuperação, nesse contexto, do que, por exemplo, os românticos alemães escreveram a propósito (dessa essência, a montanha); curiosamente, ainda, para percebermos do que estamos a falar, importa convocar a montanha Suíça e seu edificado (contíguo) como protótipo do que se busca como inspiração para mimése (mesmo que em terras longínquas das helvéticas); são-nos apresentadas, na obra, as fotos do original - para se perceberem as cópias; e então, em definitivo, a serra da estrela, fotografada, documentada, sinalizada em um conjunto de excertos - de obras a ela dedicadas, de autoria diversa - que a explicam. Em Volta a Portugal, de Álvaro Domingues, atentem, pois, como se concebe uma completa (e verdadeiramente holística) aproximação/compreensão de um dos lugares "biografados".
2. Não é cidades-estado; é "cidades do Estado". Assim, designa Álvaro Domingues, em Volta a Portugal, muito do que hoje é Trás-os-Montes, "dada a importância maioritária do emprego e do rendimento gerado pelo sector público" [nesta região]. Mais ainda do que (apenas) a providência do Estado, a assistência  (de algum modo exógena) como forma de sobrevivência: "Trás-os-Montes vive de uma economia assistida, sob forma de pensões  ou reformas, poupanças e remessas da emigração, ou transferências do orçamento para o financiamento do Estado Social que ainda existe". Todo o investimento infra-estrutural (das Luzes ao Estado Novo, até ao maná da UE) nunca alcançou "nenhum dos milagres anunciados".
Em uma visão que poderíamos dizer desencantada, sem um discurso "romântico ou trágico", o geógrafo assinala: "este pano de fundo - pessimista, quase sempre - é filtrado pela assimetria do País entre a capital e as «províncias», pela má consciência face ao «interior», ele próprio autovitimizado pela não superação da sua ideia de assimetria como constituinte da realidade nacional e universal". Trás-os-Montes, "terra pobre que exportou a maioria dos seus habitantes, ficou com uma sementeira de aldeias sem gente", marcada, pois, "por um cenário geral de abandono, por contrastes entre a «terra quente» e a «terra fria», por terras escalavradas e algumas cidades prósperas, um sem-fim de aldeias onde já quase não mora ninguém". 
Assim sendo, e prosseguindo sem contemplações, Álvaro Domingues considera, por exemplo, que "vão-se fechando linhas [de comboio] no meio de protestos que são mais expressão de um sentimento de abandono do que verdadeiramente resultado da importância do serviço prestado". 
E, todavia, "Reino Maravilhoso guarda uma poética inesgotável e um valor cultural enorme. Não será o olhar para a «aldeia típica» a resgatar este encantamento. Para além do somatório da fragmentação municipal, terá de haver uma entidade regional que cuide daquilo que não resulta do somatório das pequenas coisas. A região chegou a um nível extremo de rarefacção e de envelhecimento e está a perder os seus habitantes «jardineiros da paisagem» como se fora ermamento de há séculos. É preciso redescobrir Trás-os-Montes agora que em todo o mundo se está perto de tudo".
Em um livro que recorre ao hipertexto, deixando, muito, ao leitor as conclusões das citações e das fotografias convocadas à compreensão de um lugar, dir-se-ia que é-nos sugerido sobre Trás-os-Montes, ainda, o seguinte: ancestralmente, Trás-os-Montes era lugar isolado, de montanhas e vales profundos, de "clima excessivo", solo pouco fértil, espírito "comunalista vivaz", região delimitada pela "Portela de Homem pela banda do Norte até à ponte do Cavez, e continuando do Poente pelo rio Tâmega até entrar no Douro", com a montanha, que exprime "a ligação entre o Céu e a Terra", a ser horizonte sagrado que atravessa todo o espaço, perpassado, também, pelo centeio (de Vinhais), terra de pão e por não raras casas de atrevido mau gosto, sem "cuidado de ordem e de arranjo, nenhuma preocupação de décor interior ou exterior" que "os melhores arquitectos e paisagistas não desdenhariam achar motivos para as suas obras da mais requintada fantasia". Típicas as casas "de xisto ou feita de granito", região há séculos povoada por gente maioritariamente "robusta e corpulenta", na qual "as pessoas nobres são dotadas de grande primor e brio; muy valentes, e honradas; aptos para a guerra, e tem grande exercício de gineta, e brida, em que fazem sumptuosas festas (...) são muy devotos da Igreja (...),conservão as amizades, e com estranhos são attenciosos. As mulheres nobres têm grande recolhimento, as outras ajudão a cultivar as terras e seus maridos, e às vezes mais trabalhão ellas que elles: em fim diz o Abbade Hoão Salgado de Araujo, que não se sabe desta Provincia vicio algum nativo della" (p.135).
Factos objectivos - demografia, economia, desertificação; interpretação: reino maravilhoso e modo de o procurar promover, ou as consequências dos grandes investimentos; história; geografia física e humana (traços de carácter, ou os caracteres); subjectividades (o gosto das casas, maioritariamente, ou com suficiente presença excêntrica para figurarem no catálogo), mitologia (gente imaculada, sem nenhum vício), auto-compreensão de uma região, sempre e quando se regista, igualmente, em Trás-os-Montes a diversidade dos registos (da Terra Quente à Terra Fria, de cidades mais prósperas até às aldeias sem ninguém; da agricultura abandonada, à do auto-consumo até à produção intensiva). De contrastes e de múltiplos signos o retrato de Trás-os-Montes, na pena, e na selecção de fotos e citações, de Álvaro Domingues.

Pedro Miranda




segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Miúdos pelos Direitos Humanos

Concurso de Desenho sobre Direitos Humanos



O que é que os Direitos Humanos significam para ti? Se tens entre 10 e 14 anos, participa neste concurso mundial de desenho para celebrar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Posso desenhar sobre o quê?

Esta competição propõe 3 temas para que te possas inspirar. Escolhe um e começa a desenhar!

1. Pinta ou desenha um Direito Humano que sintas que deva ser defendido. Escolhe um dos 30 artigos e ilustra-o criativamente.
2. Pinta ou desenha alguém que admires pela defesa ou promoção dos Direitos Humanos.
3. Pinta ou desenha uma situação em que mostres como tu podes defender um direito humano. Existem muitas maneiras simples de defender os Direitos Humanos: apontar a intolerância, expressar a tua opinião, participar numa marcha, ajudar alguém em necessidade. Mostra ao mundo como fazes a diferença!

Submissão de trabalhos
Primeiro deves enviar uma imagem, fotografia ou digitalização do teu desenho, não o trabalho original. Podes submeter o desenho neste website (http://kids4humanrights.org/Submit) ou enviá-lo para este endereço eletrónico: kids4humanrights@gabarron.org. até ao dia 31 de outubro de 2018.

Se fores um dos finalistas então deverás enviar o teu desenho para a Fundação Gabarron, na altura receberás mais instruções.

Ver mais informações aqui: https://www.unric.org/pt/concursos-e-campanhas/32448-competicao-de-desenho-miudos-pelos-direitos-humanos-kids4humanrights

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Cidadania e Desenvolvimento - Direitos Humanos


Materiais de apoio ao desenvolvimento do tema "Os Direitos Humanos" disponíveis na Biblioteca:

Manuais de apoio ao professor:

 Folhetos:



DVD:



Oferta do Professor Eduardo Azevedo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

2018-19

A Biblioteca da Escola S/3 S. Pedro, deseja a toda a comunidade educativa um excelente ano letivo 2018-19




sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Homo Deus História Breve do Amanhã






Um elixir excessivamente ansioso

Até ao séc.XX, 1/3 da população não chegava à idade adulta devido a uma doença; de resto, a gripe espanhola, mataria mais pessoas - 50 a 100 milhões, do que a Primeira Guerra Mundial (40 milhões). Historicamente, a peste negra (inicia-se em 1330) matara entre 75 e 200 milhões de pessoas, mas não fora um acontecimento excepcional nem sequer a pior peste da história. 1979 marca o ano da 1ª epidemia que a humanidade conseguiu eliminar da face da Terra, com a erradicação da varíola. Nas sociedades agrícolas, a guerra, por sua vez, causara o desaparecimento de 15% da população; no século XX, foi responsável por 5% das mortes, e no séc.XXI, até ao momento, por 1%. Assim, em 2012 morreu mais gente por diabetes e suicídio do que por via da guerra. Neste sentido, pode dizer-se que "o açúcar é agora mais perigoso do que a pólvora" (p.26), ou, noutra formulação possível, "para o norte-americano, ou europeu médio, a Coca-Cola representa uma ameaça maior do que a Al Qaeda" (p.29). Repare-se que, em 2010, morreram 7697 pessoas fruto de terrorismo, no mundo, a maioria das vítimas vivendo em países em vias de desenvolvimento; mas, ao mesmo tempo, morreram 3 milhões de pessoas em virtude da obesidade e doenças associadas.
Apesar de, em França, 10% da população padecer de insegurança nutricional, hoje, na maior parte dos países, mesmo que alguém perca o trabalho é improvável que morra de fome, esta que chegou a ser, historicamente, a causa de 1/5, 1/4 ou 1/3 das mortes de uma dada população.
Assim, Yuval Noah Harari sem querer parecer excessivamente ingénuo, cínico ou triunfante - e para isso alertando ao longo do texto diversas vezes: ainda há muita gente que sofre com a fome, doenças ou conflitos bélicos, e nada nos garante que estes últimos, em particular, estejam superados -, entende que a um nível macro é patente que as grandes causas de sofrimento conhecidas até hoje pela humanidade - guerrapestefome - se encontram em vias de dar lugar a outras demandas, porque a "história tem horror ao vazio"(p.31) e, talvez, não nos iremos dedicar, em exclusivo, "a escrever poesia": o tríptico acabado de enunciar será, então, substituído, segundo o académico em causa, pelos desejos de imortalidadefelicidade e divindade (o homem colocar-se no lugar de Deus). Não faltam os magos que consideram a imortalidade como um passo inevitável, aduzindo, não raramente, datas para a concretização do dito desiderato (alguns peritos apontam para 2100 ou 2200 o ano em que os humanos vencerão a morte). Acontece, desde logo, que os níveis de ansiedade seriam inéditos: enquanto um mortal dos nossos dias vai trabalhar, jantar fora, ou passear conhecendo a sua finitude (mesmo que não imediata), um imortal, sabendo da sua imortalidade, certamente se impacientaria de um modo outro só de imaginar poder perder, num qualquer acidente, a imortalidade que não havia sido dada a ninguém da mesma espécie, em tempos pretéritos. Harari centra, contudo, a sua exposição primeira, em descortinar consequências - algo que quer a literatura propriamente dita, quer o ensaio têm feito, e mais irão fazer à medida que crescem as possibilidades biotecnológicas para o humano - de uma simples (quando comparada com a imortalidade) duplicação da esperança média de vida. Imaginemo-nos, portanto, a durar até aos 150/160 anos. Se nos casássemos aos 40 anos, conseguiríamos manter um casamento durante 110 anos? Nem os católicos mais fundamentalistas a isso obrigariam, afiança, com graça, o ensaísta. E o cuidar dos filhos? Pois, dada a nova duração humana, tratar-se-ia de uma recordação menor, ou, pelo menos, não tão relevante como agora nas nossas vidas. A reforma, como é óbvio, estaria longe de poder ocorrer aos 65 anos. E na política, como aguentaríamos mais 90 anos com Putin no poder, na Rússia?
Doce, ou amargo enlevo para alguns: "pior do que viver sabendo que se vai morrer é acreditar que se vai ser imortal e descobrir que não": "a verdade é que a medicina moderna não prolongou a duração natural da nossa vida em um só ano" (p.39) . Para o fazer, a medicina "necessitará de redesenhar as estruturas e processos mais fundamentais do corpo humano e descobrir como regular órgãos e tecidos". E não é claro que o consiga fazer até 2100. 
Numa palavra, em 1900 a esperança média de vida era de 40 anos. A biotecnologia, que agora afasta vírus e bactérias, converte os humanos numa ameaça para si mesmos.

Pedro Miranda

domingo, 22 de julho de 2018

Uma entrevista futurista do Físico Michio Kaku.



Uma civilização de tipo 1 é também dita planetária, porque controla todas as fontes de energia de um planeta. Controla, por exemplo, toda a luz do sol que atinge o seu planeta, controla e meteorologia. Dentro de apenas 100 anos, chegaremos a esse estágio. É muito fácil calcular a produção total de energia de uma civilização de tipo 1. Ao fazê-lo, percebemos que nos tornaremos uma civilização planetária por volta do ano 2100. Depois, quando passarmos a dominar todo o poder energético de uma estrela, teremos uma civilização estelar, ou de tipo 2. Poderemos então brincar com as estrelas. Para dar um exemplo, o Star Trek [Caminho das Estrelas], com a sua Federação dos Planetas Unidos, podia potencialmente formar uma civilização de tipo 2. O próximo passo são as civilizações de tipo 3, semelhantes às de A Guerra das Estrelas.  Cada civilização está separada da anterior por um fator de cerca de dez mil milhões: tomando a potência energética de uma civilização multiplica-se por dez mil milhões e obtém-se a potência energética da civilização seguinte. (...)
Estamos prestes a tornar-nos uma civilização de tipo 1. A internet é a primeira tecnologia de tipo 1 que tem uma dimensão verdadeiramente planetária, é a primeira a espalhar-se por toda a Terra. Para onde quer que olhemos, observamos culturalmente a prova dessa transição. É por isso que a internet é tão importante. Uma civilização de tipo 0 ainda transmite toda a selvajaria ligada à sua recente saída do pantanal. A nossa continua marcada pelo nacionalismo, pelo fundamentalismo...Mas quando chegarmos ao estágio de uma civilização de tipo 1, teremos eliminado a maioria desses problemas. Quando chegarmos ao tipo 2, tornar-nos-emos imortais: nada cientificamente conhecido destruirá uma civilização de tipo 2. (...)
Até ao final do século, vamos ser capazes de nos digitalizarmos. Tudo o que sabemos sobre nós próprios - a nossa personalidade e até mesmo as nossas memórias - será convertido em dados digitais. Neste momento, o Human Connectome Project, que o Presidente Obama ajudou a lançar, está a trabalhar no mapeamento de todas as conexões internas do cérebro.
Cada um de nós deixa já uma pegada digital. Todas as nossas transações com cartões de crédito, as nossas fotografias no Instagram, os nossos vídeos...Isso representa já uma significativa informação digital. Mas perto do final do século, será o próprio cérebro que vai deixar a sua marca. Vamos ser capazes de criar uma imagem compósita de quem somosVamos poder digitalizar essa imagem, carregá-la num feixe de laser e enviá-la para a Lua. Num segundo, estaremos na Lua, em vinte minutos chegaremos a Marte, num dia acercamo-nos de Plutão e em quatro anos estaremos perto das estrelas. Sem termos de nos preocupar com reatores de foguetões, sem risco de acidentes, efeitos da falta de peso ou raios cósmicos. Vou ao ponto de dizer que acho que isto já existe. Que há extraterrestres muito mais avançados do que nós, que não se enlatam em discos voadores. Os discos são muito datados, são mesmo muito do século XX! Não, eles já se lasertransportam. É possível que exista uma autoestrada de laserportação muito perto da Terra, através da qual milhões de seres se laserportam através da galáxia, mas somos demasiado estúpidos para perceber isso. (...)
Acima de tudo, o que deve ser entendido é que já estamos hoje a transformar a Terra: a terraformação é uma realidade[Quanto a Marte], podemos avançar por etapas. Primeiro, utilizando metano para aquecer um pouco a atmosfera. A segunda etapa será a de instalar painéis solares para derreter as calotas polares. Uma vez que a temperatura tenha subido seis graus Celsius, desencadeia-se uma reação desenfreada. O aquecimento acelera. É só isso o que é preciso fazer: aquecer o planeta cerca de seis graus. Atualmente, estamos a aquecer a Terra um grau e nem sequer temos consciência disso. Mas em Marte, teremos de elevar a temperatura conscientemente cerca de seis graus
Depois, evidentemente, teremos de tornar Marte habitável, com plantas geneticamente modificadas para poderem vingar na atmosfera marciana, composta por altos níveis de dióxido de carbono. Teremos também de explorar o gelo, para produzir água, e procurar combustível para os nossos foguetões. Modificar geneticamente certas plantas, para que cresçam e nos alimentem, e derreter as calotas polares. Estaremos em condições de iniciar este processo dentro de uns 100 anos. Ninguém considera que possamos fazer isso no imediato, mas será possível dentro de um século; depois de instalada uma colónia em Marte, poderemos iniciar esse processo. (...)
Em 1967, se lhe dissesse que um dia o Homem construiria o seu próprio foguetão e iria colocar a sua bandeira na Lua, para reivindicar uma parte dela, acharia que estava maluco. E já chegámos aí. Milhões de pessoas assistiram ao lançamento do foguetão Falcon Heavy [lançado pela SpaceX, em 6 de Fevereiro de 2018]. Era um foguetão lunar. Quanto custou aos contribuintes? Nada. Nem um cêntimo. Ninguém podia prever isso em 1967. É por isso que precisamos de novos tratados. Porque a China, por exemplo, também se está a preparar para ir à Lua; já anunciou que vai implantar lá a sua bandeira. As empresas privadas acabarão por ir também à Lua, mais cedo ou mais tarde. É que não é muito complicado ir até lá. E é por isso que precisamos de tratados. No futuro, as pessoas irão passar a luz de mel à Lua. Vai tornar-se uma atração turística. (...)
Um dia [o Universo] vai ficar tão grande e tão frio, que a vida não será capaz de subsistir. Desaparecerá toda a vida da superfície da Terra. Portanto, a minha posição é a de que, como o Universo está destinado a morrer, devíamos sair dele. (...)
De toda a vida formada na Terra, 99,9% já se extinguiu. A extinção é a norma. Nós pensamos que a Mãe Natureza é doce e carinhosa, mas ela também sabe ser selvagem e indiferente. A Natureza não se importa que nos tornemos uma simples nota de rodapé da história da vida. Dito isso, acho que somos diferentes dos 99,9% das formas de vida que desapareceram. Os dinossauros não tinham um programa espacial e é por isso que eles não estão hoje aqui. Eles fazem parte dos 99,9%. Quando o asteroide atingiu a Terra, eles não sabiam como reagir. Nós temos um programa espacial, para podermos desenvolver um plano de emergência

entrevista realizada com Michio Kaku, Físico norte-americano, Professor de Física Teórica no City College, em Nova Iorque, pela revista 52 Insights (09-04-2018), e traduzida e publicada pelo Courrier Internacional, nº269, Julho de 2018, pp.60-65. O autor tem publicado inúmeros livros, traduzidos para português, e que fazem parte do Plano Nacional de Leitura.

Pedro Miranda

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA

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