segunda-feira, 23 de novembro de 2020

À conversa com Josep Maria Esquirol

 Por uma filosofia da proximidade, uma charla com Josep Maria Esquirol, prémio Nacional de Ensaio em Espanha, a propósito do livro “Resistência Íntima” – ou como habitar o mundo com uma vida desejavelmente mais intensa, nuclear, expandida. 


A filosofia não consiste, exclusivamente, em um exercício académico, curado por especialistas que esculpem ou depuram conceitos, por entre uma treinada capacidade especulativa e técnica: é, sobretudo, como os antigos sabiam, o cuidado com a alma, que é cuidado de si e do próximo. Há uma filosofia da proximidade que se esboça no casar (juntar, entrelaçar) que torna - dá origem etimológica e existencial - a casa, reduto, bem compreendido, mais anímico do que arquitectónico – há casas tão cálidas onde se sente, de imediato, o regaço a receber-nos e uma indómita vontade de nelas permanecer (talvez independentemente do tamanho da sala ou dos miasmas tecnológicos dos ocupas pandémicos que a invadem). E da casa ao trabalho: neste, há que inscrever-nos em tarefas intensas, capazes de nos dilatar (de nos expandir, de nos fazer gostar ainda mais da vida); a nós, enquanto pessoas individualmente consideradas, mas, também, e não menos relevante, a nós co-criadores de um cosmos – ordem, harmonia – cuja beleza importa tomar a cargo. O trabalho, idealmente e em tantos casos, dá (humano) sentido (e que lástima quando decai em alienação), não é apenas uma questão económica. E, se a dimensão do sentido, com maiúsculas, é, para alguns, tida por excessiva, que pelo menos se divisem os sentidos que se podem haurir do mundo (em uma tessitura cuja pauta se singulariza e que cada um vai, também, cerzindo, sem guião de tamanho único): como o de uma boa conversa – que maravilha é sermos perguntados: “como estás?”, porque significa alguma preocupação connosco, reconhecimento, torna-nos próximos -, por oposição a um mundo em que a homogeneidade, a mesmidade, o universo-plano e ilimitado da tecnologia (estendida a todos os domínios) tende a tornar a riqueza de uma ampla paleta existencial infinitamente mais reduzida, redutora, monocromática, totalitária até. Em uma boa conversa, ainda que connosco mesmos, necessitamos de palavras mediadoras (do pensamento e do diálogo). E é preciso recuperar as menos abstractas, as mais cálidas, as mais próximas, aquelas que penduramos ao pescoço como um terço, contas de um rosário, corrimão de uma vida em que o Céu é horizonte de conforto se (e só se) não desligado da Terra - mas sem com esta se confundir. Junção sem confusão: sabemos para onde olhar e o teto com que somos cumulados.

A Josep Maria Esquirol não escapa um nome (de um seu interlocutor). Paula, Teresa, Pedro, aconchega-nos. Talvez não por acaso, o único filósofo que traz à conversa, durante as reflexões com que nos presenteia, o regalo que habita e que não é sinónimo de actualidade, porque esta, paradoxalmente, o torna sem-abrigo - é Emanuel Levinas, o homem que sabia que em cada rosto há uma inscrição – não matarás – que me obriga a atentar na indeclinável dignidade de cada pessoa, e que erigiu a responsabilidade pelo outro em um mandamento sem apelo (a responsabilidade do outro por mim é problema dele). Na Escola Secundária de S.Pedro, mais de sete dezenas de atentos ouvintes – alunos, professores, uma audiência que fez escala em três continentes, Europa-América do Sul e África –, na manhã de 23 de Novembro, ficaram acometidos de prosseguirem o cultivo desse horto íntimo e de resistirem, com tão bom mestre e tão exemplar exercício espiritual, à tempestade que em momentos, como o atual, sempre espreitará as suas existências.

Pedro Miranda




Miúdos a Votos - Leitura e Cidadania

 


«Miúdos a Votos: quais os livros mais fixes?» é um projeto de promoção simultânea de cidadania e de leitura. Estarmos informados é condição essencial de uma cidadania de pleno direito. Com a pandemia, a desinformação e as fake news aumentaram exponencialmente, tornando mais urgente aprendermos todos a consumir (e produzir) boa informação.

Este ano, a VISÃO Júnior, através da sua parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares, acrescenta uma vertente ao projetos ‘Miúdos a Votos: quais os livros mais fixes?’: a literacia mediática.
OS ALUNOS PODEM PARTICIPAR EM «MIÚDOS A VOTOS» DAS SEGUINTES FORMAS:

• Ajudar a organizar o processo eleitoral na escola;

• Fazer campanha eleitoral por um livro;

• Votar;

• a partir deste ano, reportar aos outros o que se passa.

Os alunos terão a oportunidade de perceber:

Como funciona o mundo da informação?

Como trabalham os jornalistas?

O que é que os jornalistas têm de diferente?

Como se faz uma notícia?

Qual a diferença entre uma notícia e uma opinião?

Como se faz uma reportagem?

Uma imagem também informa?
UM PROJETO ‘MÃOS NA MASSA’

Este é um projeto ‘mãos na massa’: os alunos serão não só os seus protagonistas, como os seus próprios agentes. Terão por isso oportunidade de escrever uma notícia, fazer uma reportagem, escrever uma coluna de opinião – e vê-la publicada no sítio de um órgão de comunicação social nacional.

Os alunos serão os repórteres da VISÃO Júnior na sua escola. Serão eles a contar aos leitores da revista o que se está lá a passar. Serão também eles a informarem os seus colegas.
PRÉMIOS PARA AS BIBLIOTECAS

Para estimular a participação nesta nova vertente do projeto, a Visão Júnior criou duas distinções, com prémios associados.

• As escolas que mais ativamente fizerem a cobertura das atividades (notícias, entrevistas, podcasts, vídeos, crónicas) de ‘Miúdos a Votos’ na sua escola receberão livros para a biblioteca. Serão distinguidas três escolas por cada ciclo de ensino.

• As escolas cujos alunos realizarem a melhor reportagem para imprensa (ou seja, texto e fotos) sobre ‘Miúdos a Votos’ receberão livros para a biblioteca. Serão distinguidas três escolas por cada ciclo de ensino.

• Os trabalhos distinguidos serão escolhidos por uma equipa da VISÃO Júnior, da VISÃO e da RBE.

Mas o melhor prémio será, provavelmente, verem o seu trabalho reconhecido ao ser publicado no sítio da VISÃO Júnior na internet. Todos os trabalhos com qualidade serão publicados.

Nota: o calendário e o regulamento serão posteriormente divulgados
SESSÕES ONLINE PARA AS ESCOLAS

A equipa da VISÃO Júnior organiza uma série de sessões online, através de uma plataforma eletrónica, para alunos e professores.

Em janeiro, realizar-se-ão sessões em que se falará da diferença entre uma notícia e uma reportagem, as regras que os jornalistas têm de seguir, como estruturar a reportagem, ângulos de abordagem, etc.

• 14 de janeiro, 11h – 1.º ciclo

• 20 de janeiro, 11h – 2º e 3º ciclos

• 29 de janeiro, 11h – secundário

Em fevereiro, as sessões serão realizadas por um repórter fotográfico, que abordará questões relacionadas com a imagem:

• 3 de fevereiro, 11h – 1º ciclo

• 9 de fevereiro, 11h – 2º e 3º ciclos

• 10 de fevereiro, 11h – secundário

Em março, com a campanha eleitoral já a decorrer, o objetivo das sessões será ajudar a resolver questões práticas relacionadas com a produção dos textos. Serão também abordadas questões relacionadas com a cobertura jornalística durante as campanhas eleitorais:

• 4 de março – 1º ciclo

• 9 de março – 2º e 3º ciclos

• 15 de março – secundário

Nota: poder-se-ão combinar sessões adicionais ou noutros horários.

Caso seja possível, poder-se-á também equacionar a deslocação de um jornalista à escola.
MATERIAL DE APOIO

A VISÃO Júnior terá material de apoio disponível no seu site sobre como se escreve uma notícia, como se grava um podcast, como se planeia uma reportagem ou uma entrevista. Será também fornecido às escolas o modelo de um cartão de jornalista para que os alunos se identifiquem como repórteres junto das suas fontes.

Retirado daqui.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Show “Física Viva”

 O Clube de Ciência Viva ofereceu à comunidade educativa uma aula de Física diferente, de forma a mostrar que as aulas desta disciplina podem ser Emocionantes e Divertidas. 
Foi, então, com enorme entusiasmo que algumas turmas do 7º ano receberam o Show “Física Viva”, dinamizado pela Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro.
Este show “Física Viva” proporcionou momentos em que o público foi convidado a experimentar as aplicações da Física, permitindo, através de um discurso simples aliar rigor científico a momentos lúdicos de imaginação e criatividade e aliciando o público para uma intervenção ativa.
O espetáculo iniciou com uma apresentação de luz laser e cor e percorreu vários ramos da Física, como Ondas , Mecânica , Termodinâmica e Eletromagnetismo.
Este espetáculo apresentado nas escolas resulta de uma adaptação do "Show de Física" do Departamento de Física da Universidade de Aveiro, desenvolvido por António José Fernandes, Jorge Monteiro e Pedro Pombo.
A Escola Secundária São Pedro está muito agradecida à Fabrica Centro de Ciência Viva de Aveiro por tornar a Ciência, neste caso a Física, tão EMOCIONANTE, ESPETACULAR E DIVERTIDA.
A Coordenadora do Clube Ciência Viva
Sónia Nogueira







quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Encontro com o Filósofo Josep Maria Esquirol

 


Na próxima segunda-feira, 23 de novembro pelas 9.00. Inscrição gratuita, mas obrigatória através do link https://forms.gle/BgnR7dC29tkeuXBe6
Em “Resistência íntima” (Prémio Nacional de Ensaio 2016, em Espanha, acabado de publicar entre nós, pelas edições70), Josep Maria Esquirol concebe a experiência do frémito face ao nada como constitutiva do humano e apresenta a casa, a valorização do quotidiano simples e lhano e a coragem e força do pensar (filosofia) como resistência íntima face às forças de desintegração do ser.

Ler mais aqui.





segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Conferência “Desafios ético-jurídicos do uso de aplicações informáticas em tempos de covid-19”





Para Diogo Farinha, jurista e mestrando em Filosofia Política na Universidade do Minho, o problema atinente ao uso de aplicações informáticas em situações excepcionais como a do tempo covid, remete-nos, de imediato, para uma “distinção clássica, entre a esfera pública e a esfera privada”, que urge recuperar. A exposição permanente de todos os dados pessoais, o (potencial) acesso do Estado, em se pensando em uma aplicação, de carácter obrigatório, com esse registo, para uso nos telemóveis, como que eliminaria a já de si actualmente muito débil esfera íntima (que hoje está também ligada aos gadgets que trazemos acoplados a cada instante). Uma agência central poderia conhecer “os lugares que frequentamos, as pessoas com quem nos relacionamos”, o acervo do nosso mundo mais particular. Poderíamos estar na iminência de um estad(i)o “panóptico” (termo para designar uma prisão ideal, tal como concebida por Jeremy Bentham, na qual um único vigilante consegue observar todos os prisioneiros) com cada indivíduo a ser observado, e a sentir-se observado, condicionando-se, dessa forma, a sua liberdade de pensamento e acção. O sonho de todos os totalitarismos, considera o conferencista, é impor o isolamento aos seus súbditos: é que o isolamento – diversamente da solidão, que concorre, voluntariamente, para “a construção do nosso espaço interior, a fermentação da nossa dimensão contemplativa, a criação das nossas dúvidas”, para uma presença actuante na res publica – impede o empoderamento e agir colectivos. O que teríamos, em estas circunstâncias, seriam “indivíduos ligados entre si, mas sem relação entre eles”.

Ademais, e face à concreta aplicação Stay way Covid, pergunta-se o orador sobre o problema da igualdade, na medida em que um estudo, a que aludiu, mostrava (apenas) 50% dos portugueses como possuidores de literacia digital, a que acresce o facto de nem todos serem possuidores de telemóveis com capacidade bastante para acomodação de uma aplicação desta natureza, não podendo o estado distinguir em função do rendimento de cada um.

Quando questionados sobre se aceitariam a obrigatoriedade de instalação de uma aplicação para telemóvel, com vista ao rastreamento da covid-19, os jovens até hoje escutados por Adriana Macedo, advogada, especialista em Direito Administrativo e a fazer mestrado em Filosofia Política na Universidade do Minho, responderam, invariavelmente, de uma de três formas: “não tenho nada a esconder…”, “já renunciamos a tudo quando aderimos a redes sociais…”, “até acho bem”, assim não questionando ou descortinando os aspectos fortemente problemáticos associados à stay away covid. Neste contexto, a profissional do Direito, entende como pedagógico, desde logo, o conhecimento de dispositivos legais que conformam e recobrem o nosso (mais próximo) quotidiano. Assim, explicou a configuração constitucional do “estado de emergência”, a formulação do Decreto-Lei nº52/2020, de 11 de Agosto, cujo objecto era a aplicação Stay Away Covid – detalhando o significado do carácter voluntário então assacado à mesma -, a proposta de lei nº62/XIV – que, diversamente do Decreto-Lei vindo de assinalar, previa e prescrevia, já, obrigatoriedade, imposição, fiscalização/vigilância, sanção (para quem incumprisse a obrigação cominada). Simultaneamente à exposição, no âmbito legal e da proposta legislativa, a oradora passava imagens, que considerou “chocantes”, de polícias chineses a reclamarem, dos seus concidadãos, os respectivos telemóveis, com vista à verificação do uso das aplicações impostas pelo estado (autoritário).

De acordo com a administrativista, o que há a sublinhar das recomendações da Comissão Nacional de Protecção de Dados, neste domínio, é a remissão para o carácter voluntário da instalação da covid-19 e para o objectivo de “não controlar”, ínsito nessa medida. O cuidado com os dados pessoais de cada cidadão, afigura-se como algo fundamental (sejam estes o número de telemóvel, o endereço eletrónico, ou os elementos clínicos do mesmo). Na apresentação realizada, passámos, pois, pelo Regulamento Geral de Protecção de Dados para conhecer a definição legal de “dados pessoais” e, bem assim, fez-se notar que a protecção destes é um “direito fundamental”, que, aliás, se encontra, também, na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. O direito à identidade pessoal, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar encontra-se previsto na nossa Lei Fundamental (nº26, CRP). Os cidadãos portugueses têm direito de acesso aos dados informatizados que lhes digam respeito e o direito de conhecer a finalidade a que se destinam (nº35, CRP).

As questões principais que se colocam quanto aos dados pessoais – pensemos, por exemplo, em um currículo vitae enviado para uma empresa, em um concurso para um emprego: temos direito à confidencialidade sobre esses dados e a tê-los de volta – são: de quem são (?), quem cede (?), a quem (?), para quê/com que finalidade (?), quem guarda (?), em que condições (?), por quanto tempo (?). E, em última instância, a salvaguarda: “quero-os de volta!”.

Assim, Diogo Farinha e Adriana Macedo, em conferência-debate, com mais de 70 alunos – e respectivos professores -, na manhã da Escola Secundária de S. Pedro, à guisa de um tema candente da nossa actualidade e do porvir, e do contributo para uma cidadania que se pretende reforçada. Também com bons argumentos e respaldo ético-jurídico.

Pedro Miranda

Vencedores do Concurso "Mais sabor, menos desperdício" Categoria Vídeo - Alexandra, Francisco, Guilherme e Mariana do 9º A

 














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