terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A revolta de 31 de janeiro de 1891


Porque a Festa das Broas está desde há muito ligada à revolta do 31 de janeiro e porque é importante conhecer as origens e significados de algumas tradições, retomamos excertos de uma palestra proferida pelo Professor e Historiador Joaquim Ribeiro Aires, na Escola S/3 S. Pedro em 2010.

"O 31 de Janeiro de 1891  foi uma revolta militar que aconteceu no Porto, motivada por problemas de índole internacional, pela governação monárquica e por interesses específicos  do corpo militar que, em má hora, a desencadeou,  como adiante se verá.  Ajunta-se a estes factos a vontade de implantar um regime  republicano.
Sendo  uma revolta localizada  no Porto, que elos unem Vila Real, e por extensão Trás-os-Montes, a este  acontecimento? Houve participação activa de algum órgão ou instituição, de alguma personalidade civil ou militar? Houve  efeitos directos do insucesso da insurreição a marcar a moldura política na cidade? Como sabemos, nem só no Porto se falava de republicanismo. Grandes republicanos viviam em Lisboa, como viviam noutras cidades ou vilas do País. Em Trás-os-Montes  também havia  republicanos firmes, inteiros que, neste momento, deram  todo o seu esforço  para que a ideologia republicana saísse vitoriosa.


Transmontanos na Revolta

Houve  vários transmontanos envolvidos no ideário republicano que fluiu no País, denominadamente no Porto. Houve quem tivesse parte activa na agitação que os republicanos desenvolveram, tendo, depois assumido, a revolta. Outros trabalharam fora do Porto com o mesmo objectivo daqueles:  instaurar a República. Nem todos eram naturais do distrito de Vila Real, mas pela sua acção proeminente, se lhes dá aqui espaço, para que esta resenha histórica não deixe vazios, que seriam importantes demais.
A sequência que seguimos é exactamente a da importância que atribuímos a estes homens corajosos.

O Dr. Augusto Manuel Alves da Veiga, natural de  Mirandela,  onde nasceu em 1850,  filho de abastados lavradores, naturais de Izeda, concelho de Bragança, formou-se em direito pela Universidade de Coimbra (1874) e foi um acérrimo republicano, tendo fundado  e dirigido o semanário  República Portuguesaalém se outros periódicos. Professor de liceu, fundador do Centro Republicano do Porto,  membro da loja maçónica Grémio Independência, dispunha de recursos pessoais. Era ele o líder civil da luta contra a monarquia que aceitou o Ultimato inglês. Percorria os concelhos a norte e a sul do Douro tentando cativar partidários para a causa  republicana e para um movimento que fosse capaz de substituir o poder instituído. Esteve em numerosas reuniões com militares, no Porto, na casa de Sousa Cardoso.








Henrique José dos Santos Cardoso, nascido em Santa Comba, concelho de Vila Flor, em 21.4.1842, apareceu logo nos primeiros dias da conspiração militar do Porto. Santos Cardoso era considerado um biltre, “uma grande avantesma d'homem, de grossas espáduas com  longos membros; servido por uma pêra caudalosa, que lhe desce do queixo ao ventre, e munido de um nodoso  bengalão  de cana-da-índia, com que atroa o lajedo das ruas do Porto. (...) Santos Cardoso era um demagogo ... Mas ao aliciar os sargentos foi na verdade um dos mais eficazes motores da revolta” (Joel Serrão).




Manuel Maria Coelho nasceu em Chaves, em 6.3.1857, fez o secundário no Porto e em Braga, tendo, depois, frequentado o curso de Armas Gerais da Escola do Exército, em Lisboa. Foi figura de grande prestígio entre os republicanos e como militar. Participou activamente  no 31 de Janeiro. Foi dos raros oficiais que assumiram um ideal republicano no Porto, ainda que não tivesse participado nas decisões que marcaram o dia da “revolta”. "












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